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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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Alguma coisa está fora na nova ordem mundial

"A desordem mundial patrocinada por Donald Trump exige que analisemos seus movimentos"

Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington - 06/01/2026 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

Mantenho-me no tema. Não por desejo, mas por necessidade. A desordem mundial patrocinada por Donald Trump exige que analisemos seus movimentos, os reflexos deles sobre a humanidade e, em especial, o que fazer para colocar um freio nas sandices imperial-colonialistas do presidente norte-americano. Conflitos de grandes proporções na história tiveram pavios semelhantes em sua gênese.

Os ataques a embarcações pesqueiras no Caribe, sob o improvável argumento de que singravam os mares a serviço do narcotráfico, seguidos da invasão da Venezuela e do sequestro de seu presidente, Nicolás Maduro, com o ato contínuo do confisco do petróleo daquele país e, por fim, o arresto de um navio petroleiro, teoricamente com bandeira russa, colocam Trump e seu governo como alguns dos maiores criminosos globais no desrespeito ao direito transnacional.

Condená-lo politicamente é o mínimo. Contudo, serão palavras jogadas ao deslocamento de ar de tufões e furacões. Nada significarão. Ele já mostrou que caga e anda para o direito entre as nações, para o multilateralismo e para os organismos globais. Ontem mesmo retirou o país de diversos organismos de colaboração entre as nações. A participação de seus representantes nas reuniões do Conselho de Segurança da ONU e da Organização dos Estados Americanos mostrou o grau de cinismo de seu governo e o desprezo que têm por esses espaços de concertação criados a partir do final da Segunda Grande Guerra.

O caminho, penso, passa pela economia. Os Estados Unidos seguem sendo a maior economia mundial. Contudo, é nítido que a crise do sistema e do modelo está instalada. Trump diz que vai fazer os EUA grandes de novo porque sabe que a vaca está indo para o brejo. Logo, por que não dar um empurrãozinho? Ele fez a opção de bastar-se a si mesmo: ignorar parceiros, impor tarifas, arrogar-se imperador do mundo. Que sejamos hoje trezentos contra Xerxes, para que a humanidade se reagrupe em padrões que garantam o direito de todos.

Poder-se-ia dizer que a loucura, a insanidade e a imbecilidade de Trump poderiam levá-lo a partir para uma terceira guerra mundial ao se ver acuado no campo econômico. É possível. Mas eu apostaria que ele não rasga nota de U$ 100 quando ela lhe pertence ou pode vir a lhe pertencer. Se, isoladamente, os EUA são, inegavelmente, a maior força militar, penso que, contra uma coalizão que inclua China, Rússia, Índia e países europeus - em que o teatro de guerra pudesse vir a ser o próprio território norte-americano - Trump não pagaria para ver.

Por isso, acredito que o caminho seja o da asfixia econômica dos EUA, começando pela quebra do dólar como padrão do comércio exterior. A pressão precisa vir de dentro para fora. Os norte-americanos precisam sentir, como o povo do resto do mundo sente, que as medidas tomadas por Trump repercutem negativamente em suas próprias vidas. Estão nos Estados Unidos, em seu território, os maiores aliados contra o avanço da política imperial-colonialista do novo pirata dos sete mares.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.