Algumas lições sobre o que é Sionismo de Esquerda (aos que querem aprender)

Escrevo este texto aos que querem aprender na vida, aos que querem entender coisas que ainda não entendem, aos eternos aprendizes, como eu



Antes de mais nada: escrevo este breve artigo não aos antissemitas que odeiam os judeus gratuita e irracionalmente, como qualquer racista o faz em relação à sua vítima escolhida. Escrevo este texto aos que querem aprender na vida, aos que querem entender coisas que ainda não entendem, aos eternos aprendizes, como eu.

O grupo ‘Judias e Judeus Sionistas de Esquerda’, do qual faço parte com grande orgulho e alegria, além de agressões de todos os tipos vindo dos antissemitas de Direita e de Esquerda (que são praticamente idênticos quando se trata de ódio aos judeus), vem sendo também acusado de ser algo “fantasioso”. Algo que não seria real, que seria inventado ou mesmo criado artificialmente com propósitos de interesse próprio.

Equivoca-se completamente quem pensa assim. O bom é que na vida nada é maior do que a verdade e a realidade que se mostra escrita nas páginas dos dias. A realidade sobre o Sionismo de Esquerda (assim como o de Direita) é que ele é um movimento que sempre existiu – desde o início da proposta sionista.

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Mas o que é Sionismo afinal? Bem, já que nas bocas dos brasileiros esta palavra é repetida praticamente como um mantra de ódio, cabe aqui esclarecer:

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Ser Sionista é acreditar que o povo judeu tem o direito de possuir um Estado soberano e independente na região do Oriente Médio. A princípio é isso. A partir disto, desdobram-se variações de Sionismo – sobretudo o dualismo de ideologia política entre Direita e Esquerda. E o que diferencia crucialmente o Sionismo de Direita e o de Esquerda é que o de Direita enxerga hoje este direito de Israel de uma maneira brutal que atropela os direitos dos palestinos. Já o de Esquerda é oposto: considera o direito de existência de Israel e da mesma forma o direito de existência de um Estado Palestino. Também soberano e independente. Direitos Humanos e igualdade para ambos os povos. É uma concepção humanista que se aplica ao conceito Sionismo.

Desta forma, nós Sionistas de Esquerda lutamos desde sempre contra as ocupações ilegais de Israel na Cisjordânia. Contra leis discriminatórias que a Direita israelense impõe em Israel. Contra qualquer violação de Direitos Humanos contra os Palestinos. Da mesma forma que lutamos contra o terrorismo árabe que assassina há tantos anos judeus da mesma forma que soldados judeus assassinam palestinos.

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Assim, para os que se apressam a criticar e dizer que somos só “fachada”, vamos aos fatos. E os fatos são que nós não somente somos reais, mas também somos presentes e ativos dentro do parlamento israelense. E dentro da coalizão do governo, não da oposição. Possuímos representação através de dois partidos: o Meretz (do qual faço parte) e o Avodah. O Meretz (o que traduz-se como ‘energia’, ‘dinamismo’, ‘vigor’) foi fundado em 1992 e é o partido mais à Esquerda. E o Avodah (que significa ‘trabalho’) é o partido trabalhista, fundado em 1968. São partidos social-democratas, comprometidos com a solução de dois estados (Israel e Palestina), com políticas verdes, Democracia, Justiça Social e Direitos Humanos.

Enfim, estes dois partidos que representam o Sionismo de Esquerda (às vezes chamado também de Sionismo Trabalhista ou de Sionismo Socialista), possuem ao todos 13 cadeiras no governo de coalizão de 61, ou seja, um quinto do governo e um décimo do parlamento como um todo. São os únicos partidos que possuem tanto judeus quanto árabes entre os seus políticos. Sim, judeus e árabes juntos, unidos no mesmo partido, trabalhando e lutando lado a lado. E este é o maior retrato do Sionismo de Esquerda.

Neste exato momento, dos 13 deputados, dez são judeus e três árabes. Embora três em 13 pareça pouco, não é. O esforço em ultrapassarmos mares de ódio vindo tanto de extremistas judeus quanto de extremistas árabes e elegermos três árabes em partidos judaicos foi e é hercúleo. Além do mais, três em 13 corresponde a cerca de 23%, que é a porcentagem de árabes israelenses em Israel, ou seja, a representatividade está alinhada à realidade do país.

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Há também outro detalhe importante sobre o qual nos orgulhamos: dos 13 deputados(as), a maioria absoluta é feminina: oito mulheres e cinco homens. A força das mulheres judias e árabes em conjunto em nome de um futuro melhor. Um exemplo ao mundo.

Enfim, enquanto os antissemitas de plantão seguem vociferando e destilando seu veneno contra nós Sionistas de Esquerda, continuaremos trabalhando e atingindo os grandes resultados que vimos atingindo sobretudo nos últimos anos. Este é nosso rosto: partidos que possuem judeus e árabes juntos, dirigidos sobretudo por mulheres, representando nossas causas no parlamento de Israel e lutando para atingirmos a vitória maior com a qual sonhamos desde que nos conhecemos por gente: a Paz entre Israel e Palestina.

Por fim, só um breve esclarecimento específico sobre o grupo brasileiro ‘Judias e Judeus Sionistas de Esquerda’: ao contrário do que já nos xingaram – de “grupelho sem relevância” e coisas semelhantes, somos um grupo de professores, ativistas, articulistas e pensadores que estão reunidos para representar o braço brasileiro deste movimento mundial que é o Sionismo de Esquerda. Se fôssemos poucos e se não tivéssemos relevância, não teríamos conquistado o que conquistamos até aqui, como a presença política no parlamento de Israel.

Além disso, ou poderia falar de diversas instituições mundiais Sionistas de Esquerda que são ativas comunitariamente há décadas. Mas isto fica para um próximo artigo.

Enfim, podem nos xingar, ofender, agredir e mentir sobre nós o quanto quiserem. Nós não desapareceremos. Pelo contrário: estaremos cada vez mais presentes, afinal a luta pela causa Israelense-Palestina – que sim, vemos como uma só – faz parte da essência de nossas existências. O caminho a se trilhar ainda é longo e árduo. Mas seguiremos sempre em frente.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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