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Camilo Irineu Quartarollo

Autor de nove livros, químico, professor de química, com formação parcial em teologia e filosofia.

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Almas despejadas

Revitalização! É o cola-tudo propagandístico das imobiliárias

Vista aerea da cidade de São Paulo - 27/03/202 (Foto: Divulgação/Diogo Moreira/MáquinaCW/Governo do estado de São Paulo)
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Deixaram chegar “no osso” a necrópole de Piracicaba-SP, notadamente o Cemitério da Saudade, há décadas sem manutenção.

Quem passa pela Avenida Independência desta cidade vê o muro baixo do além, carcomido, com as pinturas murais esmaecidas e, em cima, os metais espiralados pega-ladrão. Por lá saltam gatos pardos, entre as silhuetas dessa zeladoria obscurantista. Há sepulturas com fendas, baratas fugidias, anjos decaídos, vasos secos e metais roubados. O mais estranho não seria se víssemos, pelas trincas velhas, os penadinhos revirando-se lá dentro. A necrópole, ossos dos nossos ossos, adereços, monumentos. Se pobres, ao menos a foto, com nome e datas, ou uma cruz velha que seja. Vez ou outra, a parafina escorrida ao lado de um monturo com rosas, em aviso para não pisar na nossa humanidade, mas pisam.

Revitalização! É o cola-tudo propagandístico das imobiliárias. Tal palavra serve para a destruição abrupta das escavadeiras privadas, do que fora memória original secular e pública. Vêm os lobbies de fora, de gente anônima e rica, para fazer da morte um bom negócio. Afinal, o cemitério atrapalha o centro comercial, das lojas e salas de jogos para adultos e crianças. E os joguinhos? Ah, sem os corpos dos mortos, criam-se os zumbis, mortos-vivos arrastando a perna de Mumm-Ra, guerras, gente que mata gente... Gente?! Há ainda lugar para esses viventes patéticos? Não, mercado é money.

Neste “mundo de impiedade”, narram os Atos dos Apóstolos que o dinheiro devolvido por Judas foi usado para fazer um cemitério, para enterrar os pobres que morriam na peregrinação ao templo. Havia alguma piedade...

Atualmente, não mais. Os sionistas que retornaram ao território palestino vieram com sangue nos olhos, como ímpios. Os judeus são difamados pela truculência indefensável dos sionistas. Até mesmo o vice-presidente americano JD Vance diz que Israel “tem de acordar para a realidade” e que está cada vez mais isolado no mundo. Os judeus, povo de grande cultura e tradição milenar, não precisam disso, de se impor pelo mal, ao arrepio dos acordos e leis internacionais.

Os EUA e Israel quiseram fazer do Irã um grande cemitério a céu aberto, como Gaza, e mataram covardemente o líder Khamenei. O ministro iraniano Araghchi declarou na plataforma X que “... O culto genocida à morte, com sede em Tel Aviv, representa uma ameaça para toda a humanidade. O regime ameaça a todos os seres humanos...”. Araghchi não criminaliza os judeus indistintamente. Aliás, há uma grande comunidade confessional judaica no Irã, nas principais cidades, a segunda maior do Oriente Médio, ativa e oficialmente reconhecida, com representação no Parlamento persa. Contudo, o ministro Araghchi fala especificamente dos líderes de Israel, com sede de governo em Tel Aviv.

Para onde quer que se olhe, vemos esse culto diabólico, de uma idolatria pela violência, da antivacina, anticiência, do ataque covarde contra a humanidade desarmada, contra o amor cristão e contra a memória originária.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.