Amanhã vai ser outro dia!

Hoje o dia amanheceu diferente. Muitas bandeiras pelas janelas casas afora. Algumas pessoas que conversei enquanto ia à padaria comprar pão para o meu café da manhã se diziam mais tranquilas por ter tirado o PT do poder. Mas como será o amanhã?

Ontem foi uma quarta-feira do mês de abril de 2016 que entrará para a história do Brasil. A presidente Dilma Rousseff tinha acabado de sofrer impeachment e seu governo, oficialmente, chegava ao fim. As ruas estavam tomadas e se dividiam entre os que comemoravam a queda da presidente e aqueles que gritavam que não haveria golpe. Com exceção a alguns pequenos confrontos, os movimentos eram bonitos de se ver. A Avenida Paulista e a Praça dos Três Poderes lotadas de pessoas vestindo verde e amarelo, com bandeiras do Brasil, cantando o Hino Nacional e um foguetório que parecia a praia de Copacabana no dia 31 de dezembro. Por outro lado, a Praça da Sé e a entrada do Congresso Nacional estavam abarrotadas de pessoas vestindo vermelho, com bandeiras vermelhas e também cantando o Hino Nacional. Era um patriotismo que há muito não se via no Brasil. Acho que só em 1964 mesmo.

Michel Temer assumiu a Presidência da República, com 1% de aprovação da população, segundo pesquisa mais recente. Mas levando em consideração a campanha que fez nos bastidores, parece gozar de condições políticas para interceder um diálogo decente entre situação e oposição para chegar a um caminho comum nos próximos dias e meses. Mas não é nada concreto, afinal em 2014, Dilma Rousseff e o PT se diziam capazes de conduzir o país para um futuro promissor nesses quatro anos e deu no que deu. No Brasil, a mentira durante as campanhas, sejam elas oficiais ou de bastidores, parece ser prática comum.

Hoje o dia amanheceu diferente. Muitas bandeiras pelas janelas casas afora. Algumas pessoas que conversei enquanto ia à padaria comprar pão para o meu café da manhã se diziam mais tranquilas por ter tirado o PT do poder. Mas como será o amanhã?

Será que agora, após a saída do PT, vamos continuar cobrando a continuidade da Operação Lava-Jato, vamos para as ruas continuar a protestar contra a corrupção ou vamos voltar àquele momento em que pensávamos que não havia corrupção no país, enquanto os políticos conseguiam nos enganar diariamente? Será que essa virada de página realmente nos tornou uma sociedade mais forte e mais crítica ou tudo não passou de hipocrisia para tirar um partido do poder, pensando que tudo melhoraria?

Bem, por enquanto essa é apenas uma história fictícia, mas faria sentido se fosse verdade, pois os caminhos nos apontam para uma queda da presidente Dilma. Contudo, os questionamentos são reais: será que após a deposição do atual governo e com a ascendência do PMDB, o partido mais interesseiro da história, teremos um país melhor? Fato que não aguentamos mais o desgoverno da Dilma e do PT, inflação, desemprego e recessão, mas precisamos de cautela com relação às forças que irão assumir o comando do país. Não devemos e não podemos nos acovardar, afinal são raposas velhas já conhecidas. Com o mesmo amor à pátria, deveremos continuar nas ruas para cobrar dos nossos políticos um país mais decente e faremos jus à máxima que muito entoavam nos protestos: "não estamos lutando por um partido, estamos lutando pelo Brasil." Se for verdade, a resposta virá nos capítulos posteriores ao impeachment, se houver. Afinal, vamos caminhando e cantando e seguindo a canção, sempre pedindo por um país mais justo, igualitário, pois devemos ser iguais, braços dados ou não. E amanhã há de ser outro dia, apesar dos políticos corruptos que insistem em sujar a nossa história. Amanhã, sem dúvida, vai ser outro dia!

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