Angela Merkel acerta mais uma vez: institui novo lockdown e segue na contramão dos líderes neonazifascistas

A humanidade sofre na Era do Neonazifascismo, mas devemos nos lembrar que ainda há líderes decentes, humanos e dignos – ainda que não sejam aqueles que consideramos ideais

Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante reunião semanal do gabinete em Berlim 28/10/2020
Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, durante reunião semanal do gabinete em Berlim 28/10/2020 (Foto: Kay Nietfeld/Pool via REUTERS)
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Angela Merkel se encontra na reta final de seu quarto e derradeiro mandato enquanto chanceler da Alemanha. Em 3 de outubro de 2021 será eleito ou eleita um novo ou uma nova líder do país. E, como já expliquei em outros artigos, Merkel se portou desde o início da pandemia de COVID-19 de forma realmente exemplar. Fez tudo o que se esperava dela: baseou-se em ciência (mostrando confiança e respeito ao Instituto Robert Koch, o principal órgão de pesquisa responsável pelo controle e pela prevenção de doenças no país); dirigiu-se à população regularmente e de forma clara, consequente e objetiva; e, em comunicação com os 16 governadores, decretou medidas federais que fizeram com que a Alemanha despencasse à 92ª posição no ranking mundial de contaminações e à 72ª no de mortes (por milhão de habitantes).

Pois bem, passados cerca de sete meses após o primeiro lockdown – que foi sucedido pela manutenção ininterrupta de estritas medidas de precaução –, ontem a “mamãezinha”, como chamam Merkel por aqui, veio mais uma vez a público para decretar um novo lockdown. Durará a princípio um mês, mas poderá ser renovado, de acordo com a realidade ao fim deste período.

Não sou eleitor de Merkel e tenho diversas críticas às suas políticas – e sobretudo ao seu partido, a União Democrata Cristã – mas reconheço as muitas positividades feitas ao longo de seu longo governo e a considero sem dúvida uma das maiores líderes da história. O seu legado será marcado principalmente por duas grandes e nobres ações: o recebimento de milhões de refugiados vindos de diversos países e a maneira como lidou com a pandemia. Inclusive, algum dia contarei a vocês, caros leitores e leitoras, a interessante (e divertida) história de quando perguntei a Lula sobre como era sua relação com Merkel. Mas isto fica para uma próxima! Voltando à pandemia, a chanceler mostrou mais uma vez a sua postura firme e consistente: “Precisamos agir e agora. Podemos dizer que nosso sistema de saúde ainda conseguiria lidar com esse desafio hoje. Mas se continuar nesse ritmo, chegaremos ao limite em algumas semanas”.

Desta forma, todos os locais de lazer, gastronomia e esporte serão fechados. Esportes profissionais continuarão a acontecer, mas sem público presente. Diversos comércios prestadores de serviços também interromperão suas atividades. O turismo será inteiramente parado. Na medida do possível todos voltarão a trabalhar em casa. E os poucos comércios que forem autorizados a permanecer abertos, terão de obedecer a regras ainda mais rígidas (por exemplo, somente um cliente será permitido estar a cada dez metros quadrados). Mesmo nas ruas serão proibidas aglomerações.

Interessantemente, escolas permanecerão funcionando, o que gera bastante discussão. As crianças praticamente não se contaminam, mas elas podem de fato transmitir o vírus aos adultos com os quais convivem. Mas como a Educação é sempre uma prioridade no país, ao colocar na balança os riscos de contaminação e os danos causados às crianças pela interrupção do ensino, decidiu-se manter a Educação intacta. A presidente do partido SPD (o Partido Social-Democrata da Alemanha, uma espécie de “PT alemão” que governa o país em coalizão com o CDU) Saskia Esken explicou: “Temos que fazer tudo isso para que escolas e jardins de infância permaneçam abertos e possam oferecer com segurança não somente educação e cuidados, mas também encontros e interações para as crianças e os jovens, em grupos de contato bem definidos, com higiene, filtros, ventilação e máscaras sempre que necessário.”

Com relação à Economia, foi liberada imediatamente a quantia de um bilhão de Euros, com o objetivo de auxiliar as empresas afetadas a amortecerem as vendas perdidas devido às restrições. E os ministros das Finanças e da Economia garantiram que mais dez bilhões já estão reservados para este intuito. Especificamente, autônomos e as empresas com até 50 funcionários serão compensados por 75% das perdas nas vendas. Para empresas maiores, as porcentagens serão determinadas de acordo com as diretrizes europeias sobre a legislação em matéria de auxílios estatais.

Enfim, esta é simplesmente a descrição de um Estado que atua como Estado. Cuida da dignidade de seu povo e o protege em termos de Saúde, de Educação e de Economia. Enquanto isso, no Brasil a “guerra das vacinas” é travada em meio a mais e mais corpos mortos de cidadãos brasileiros. O genocídio dos vulneráveis causado por aquele “que não é coveiro” e ainda afirma que tratas-se de “só uma gripezinha” prossegue a nefastos e lagos passos. E na parte norte do Novo Mundo, o cidadão que sugeriu como tratamento a injeção de detergente nas veias, continua desesperadamente tentando se reeleger.

E assim vai sendo registrado a cada dia no livro dos dias da humanidade como o Neonazifascismo se baseia na anti-Ciência e na negação de tudo o que é científico. E as pessoas que elegem e sustentam os líderes deste movimento global realmente se mostram como um gado que – diferentemente do real animal – saúda e bate continência ao seu carrasco a caminho do próprio abate. Nos EUA, de acordo com pesquisa do Brookings Institute, os dez estados que possuem mais casos de COVID-19 no país são todos republicanos. Todos os dez. Números não mentem. Fatos são fatos. Dados são dados. Mas não para trumpistas ou bolsonaristas.

Bem, como a política mundial segue uma estrutura lógica, obviamente aqui na Alemanha o único partido que maldisse as medidas propostas por Merkel foi o AfD, o partido neonazista (ainda que sobre certo disfarce e que, como sempre lembro em meus artigos, foi o único do país a parabenizar o Führer brasileiro por sua vitória presidencial em 2018). Vejam a declaração do líder parlamentar do partido: “Nenhuma medida, incluindo lockdowns, teve uma influência demonstrável na taxa de infecção, mas as fantasias de lockdown dos políticos do governo estão se tornando cada vez mais absurdas.” Vemos claramente a estratégia de sempre. Inverter a realidade, desdizer os fatos e a Ciência, transformar a inverdade em verdade e ainda por cima dizer que aqueles que acreditam em Ciência e em fatos são os que criam fantasias e absurdos.

Enfim, concluo este artigo com a esperança de transmitir alguma esperança ao leitor e à leitora. A humanidade sofre na Era do Neonazifascismo, mas devemos nos lembrar que ainda há líderes decentes, humanos e dignos – ainda que não sejam aqueles que consideramos ideais. Sigamos na luta, em Lockdown em nome da vida e em combate aos líderes que conspiram somente contra ela.

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