Alex Solnik avatar

Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

2810 artigos

HOME > blog

Anistia, ditadura e democracia

Só não vê diferenças quem não quer

São Paulo (SP) - 08/01/2026 - Ato pela democracia, em memória aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, realizado no Salão Nobre da Faculdade do Largo do São Francisco (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Não sei se é má fé, desmemória ou ignorância. Ou os três. Quando tentam fazer um paralelo entre 1979 e 2026.

Ah, se em 1979 teve anistia ampla, geral e irrestrita, agora também tem que ter.

Para refrescar a memória, vou desenhar.

Os que foram anistiados em 1979 estavam nas masmorras ou no exílio. Foram julgados - quando foram - pela Justiça Militar. Não tiveram advogados. Nem julgamento com todas as garantias constitucionais. A constituição estava morta e enterrada. 

Estavam nas masmorras ou no exílio por lutar contra a sangrenta e infame ditadura militar de 1964. Queriam a volta da democracia.

Os que estão presos agora - a começar do golpista-mor, cujo nome começa com J e o sobrenome com B - foram julgados pelo STF, os julgamentos foram transmitidos para todo o Brasil, ao vivo e a cores, eles tiveram advogados de alto gabarito, apresentaram recursos e os juízes conduziram os julgamentos respeitando seu amplo direito de defesa.

Foram presos não por lutar contra a ditadura, mas a favor. Porque tinham ódio da democracia.

Vão cumprir suas penas, definidas nos artigos da constituição, que está viva, de acordo com os crimes que praticaram.

Viva a constituição! 

Viva a democracia!

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.