Antes da tragédia

Na fase atual – agressiva e lesiva ao direito de autodeterminação dos povos – Estados Unidos e Europa incentivam as ações de governos do Grupo de Lima, sob a liderança do Brasil, eleitos com recursos de empresas nacionais e multinacionais. Os seus gestores, aliados do modelo dito neoliberal, colocam em risco a paz na América Latina e ajudam o fundamentalismo, o terrorismo e o desespero na ação política

Antes da tragédia
Antes da tragédia (Foto: Alan Santos/PR)

A França da Revolução, da Marselhesa, de artistas e intelectuais engajados, defensores da liberdade e dos direitos individuais, era um país em clima de paz em meados da década de 1990. Com líderes como Charles de Gaulle e François Miterrand, conseguiu manter uma política de não intervenção nos países do Oriente Médio, da África e da América Latina, evitando se envolver nas ações bélicas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

Apesar de ter armas, aviões, tecnologia, a França não praticou uma política externa típica da globalização. Assim, em 1995, Paris era uma festa com seus movimentos culturais, ideológicos, e convivência pacífica com migrantes, turistas e acolhimento de ativistas como os de Ruanda e outros líderes vítimas de guerras na África. Mas como no filme estrelado por Yves Montand, "A Guerra Acabou" (La guerre est finie, 1966), gaulistas e socialistas fizeram alianças com países empenhados em dominar nações em desenvolvimento ou subdesenvolvidas.

Nessa linha – sob controle dos Estados Unidos e da Europa – a barbárie passou a se proclamar liberal ou neoliberal, usando o pretexto de combater ditaduras, armas químicas, riscos de ataques ou guerra de destruição. Daí, no final daquela década, apoiou o ataque ao Afeganistão, à Líbia, e seguiu com ações ostensivas neste século 21. É compreensível que tal marcha iria fortalecer o fundamentalismo e o exército invisível do Estado Islâmico, que desafia o poder bélico e tecnológico do Ocidente.

Diante dos atentados em Paris, dos protestos dos coletes amarelos, cabe lembrar um texto escrito durante a invasão americana no Iraque, na década de 1980. Era final da fase da guerra fria, com a estratégia de promover a deposição e apoiar golpes militares na América Latina, na África, no Oriente Médio, sempre em nome da democracia e da liberdade.

Na fase atual – agressiva e lesiva ao direito de autodeterminação dos povos – Estados Unidos e Europa incentivam as ações de governos do Grupo de Lima, sob a liderança do Brasil, eleitos com recursos de empresas nacionais e multinacionais. Os seus gestores, aliados do modelo dito neoliberal, colocam em risco a paz na América Latina e ajudam o fundamentalismo, o terrorismo e o desespero na ação política. Até porque é uma forma de ato terrorista, que torna mais distante o anseio de paz, apesar da maioria "estar desarmada, não dispor de nenhuma faca" e só poder dizer: Perdoai!

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