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André Barroso

Artista plástico da escola de Belas Artes da UFRJ com curso de pós-graduação em Educação e patrimônio cultural e artístico pela UNB. Trabalhou nos jornais O Fluminense, Diário da tarde (MG), Jornal do Sol (BA), O Dia, Jornal do Brasil, Extra e Diário Lance; além do semanário pasquim e colaboração com a Folha de São Paulo e Correio Braziliense. 18h50 pronto

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Antes do próximo alvo, consertar o erro com o Irã é prioridade de Trump

A empáfia dos EUA de subestimar o Irã trouxe problemas não só para eles, mas para o mundo todo

Donald Trump (Foto: Reuters/Nathan Howard)

É bom que o erro de atacar o Irã volte a ser discutido internamente e externamente. O que era para tirar o foco da crise econômica americana, da desdolarização mundial e redução da dependência do dólar americano no comércio internacional e do caso Epstein, acabou sendo mais uma dor de cabeça para o presidente Trump, que está preocupado com a queda vertiginosa do índice de apoio dos americanos na sua gestão que chega a 35%. Isso atrapalha seus planos de reinado vendo que a próxima eleição do Congresso americano pode se tornar um tiro pela culatra.

Ao menosprezar o Irã como força militar, acabou dando um tiro pela culatra. A começar que iniciou a guerra achando que a chegada do porta-aviões, o bombardeio surpresa e cirúrgico, matando Ali Khamenei seria o suficiente para uma rendição imediata. A guerra se estendeu criando primeiro problemas para os americanos ficando sem bases no oriente, sem navios e fechando o Estreito de Ormuz, criando a maior crise do petróleo da história. Estranhamente houve ganhos financeiros na bolsa americana. Quando Trump anuncia a suspensão dos ataques ao Irã, alguém comprou US$ 1,5 bilhão em contratos futuros do S&P 500 e vendeu US$ 192 milhões em petróleo. Transações que foram seis vezes maiores do que qualquer outra ação naquele momento. Alguém lucrou com o uso de informação privilegiada.

Acharam que a experiência de derrubar o regime de Saddam Hussein, usando o argumento falso de terem armas de destruição em massa, seria algo positivo, pois era uma minoria Sunita governando para uma maioria Xiita. No Irã, o governo representa a maioria de Xiitas com cerca de 95% da população, apoiando as diretrizes do Líder Supremo. Quando saiu do Iraque, os americanos disseram que levaram a democracia ao país, sendo que eles dilapidaram as riquezas e roubaram o petróleo. O mais grave é que deixaram o poder numa disputa entre Xiitas, Sunitas e Curdos, trazendo o caos ao sistema político e social.

A empáfia americana de subestimar o Irã trouxe problemas não só para eles, mas para o mundo todo. Filipinas e Moldova declararam emergência energética, Tailândia e Vietnã já estão recorrendo ao carvão, Catar tem impacto com gás, Eslovênia raciona energia assim como Parte da Ásia, Sri Lanka, Bangladesh, Paquistão e Myanmar. Os suprimentos de enxofre foram cortados no Golfo, o que acaba com a produção de fertilizantes no mundo. O ciclo da produção do milho nos Estados Unidos está afetado criando problemas com a produção do Etanol de milho, o que cria problemas também na cadeia econômica sem parte da ração aos animais de corte e para as prateleiras da população.

Por realismo político ou simples impotência diante do caos tomado no mundo e a possibilidade de perder seus mandos e desmandos nos Estados Unidos, Trump começa a mirar em Cuba, para trazer outra distração da realidade. Como hoje é dono do petróleo venezuelano, não abastece mais Cuba que já sofre com apagões todos os dias e um embrago econômico que completa mais de 64 anos de duração. A bravata de anexar Cuba aos americanos se tornou o novo alvo de Trump. Se fala muito sobre a entrada da China ou Rússia secretamente ajudando com armamentos, assim como os próprios americanos fizeram com a Europa na Segunda Guerra Mundial e que no final saíram destruídos e os Estados Unidos fortalecidos como nova potência mundial.

A recuada de Trump na investida contra o Irã nesse momento é muito significativa. A sua fortaleza militar também é sua fraqueza e tentar esconder isso para debaixo do tapete não funciona porque continuamos a viver em cima do tapete e o acobertado nem sempre fica quieto. Mas a presunção que os estados Unidos estão sendo governados por uma extrema direita inconsequente é a mesma.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.