Antídotos democráticos

Para se proteger dos ataques à democracia social, nada melhor que continuar a discussão e a reflexão sobre o que tem sido feito (e desfeito) pelo desgoverno

É hora do levante
É hora do levante (Foto: Paulo Pinto/ Agência PT)
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Para se proteger dos ataques à democracia social, nada melhor que continuar a discussão e a reflexão sobre o que tem sido feito (e desfeito) pelo desgoverno. Começam também a pipocar alguns lampejos institucionais de indignação e correção de rumos, como a maioria no STF questionando os procedimentos da Lava Jato. Se serão suficientes para impedir a destruição de um país é uma das perguntas feitas, juntamente com outras que seguem, à luz das notícias recentes neste fim de setembro.

Se em pesquisa de opinião, 80% dos brasileiros reconhecem a influência das fake news nas decisões políticas, significa que pelo menos um terço dos eleitores de Bolsonaro decidiram votar nele baseando-se nas mentiras. Tudo bem se arrependerem agora, mas a pergunta é: terão o mesmo comportamento com a avalanche de notícias falsas que já começou para o pleito municipal do ano que vem?

No tocante a uma das questões ambientais e científicas em processo de extinção,além do Cacique Raoni, já tivemos fortes candidatos ao Prêmio Nobel, citando Carlos Chagas na medicina e Cesar Lattes nas ciências exatas, bem como a forte campanha havida pelo Nobel da Paz ao ex-presidente Lula. Não é, portanto, somente agora que pudesse haver chance para os brasileiros, face a parcos acordos internacionais de interesse militar, desprezando as décadas de verdadeiros intercâmbios internacionais e aumento da produção científica no Brasil, especialmente pelos investimentos que foram feitos em ciência e tecnologia e totalmente abandonados por este governo que aí está.

Nessa questão científica, os reitores das maiores universidades de ensino epesquisa estão vindo a público para defender esse patrimônio dos brasileiros. No entanto, afirmar que os dirigentes da CAPES e do CNPq estão interessados na redução da tragédia causada pelo corte de bolsas e de verbas para pesquisas não é verdadeiro, uma vez que trabalham a serviço do governo ignorante instalado em Brasília Mas é certa a conclusão sobre a falta de comunicação da Universidade Pública, papel que poderia ser suprido pelo jornalismo científico. Jornalões até tentam mostrar algo sobre essa tragédia no conhecimento, porém defendem a privatização do ensino superior. Se a questão é eficiência, por que as instituições privadas de ensino superior não figuram nos rankings internacionais? É uma falácia dizer que se gasta muito e mal nas universidades públicas, pois todos os comparativos com as congêneres de outros países mostram o contrário: ainda que com pouco investimento, conseguimos produzir algo de ponta e de qualidade. As políticas públicas de anos anteriores levaram mais pessoas às universidades que antes não tinham acesso. Porém, é verdade que, agora, a teocracia da ignorância está destruindo essas poucas conquistas.

A pergunta final não é por que o governo é tão desarticulado, a dúvida é como osocupantes do Palácio do Planalto lá continuam com tanta inépcia, má-vontade e má-fé? A única conclusão plausível é que a milícia, realmente, é muito forte.

Adilson Roberto Gonçalves, Pesquisador da UNESP, Membro da Academia Campineirade Letras e Artes, Academia de Letras de Lorena e Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas

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