Ao perseguir o MST os opressores do povo querem revogar o direito de lutar

Está em curso uma furiosa campanha punitiva contra um dos mais importantes movimentos sociais do Brasil

MST
MST (Foto: MST/Matheus Alves)


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247, por José Reinaldo Carvalho - A direita brasileira está mais reacionária do que nunca, a tal ponto que políticos que se abrigam em partidos cognominados como "centristas", outros pretensamente democráticos e até alguns que por interesses escusos se passam como integrantes da base de apoio do governo, encontram-se em frenética campanha persecutória contra o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Fazem parte do furibundo ataque os veículos da mídia empresarial, os mesmos que, em nome da “liberdade de expressão” e da luta contra as fakenews, pretendem monopolizar a geração de notícias e o direito à opinião impressa, radiofônica, televisiva e via internet. Diuturnamente bradam para que o governo do presidente Lula censure, condene, enfrente, puna, prenda e arrebente o MST. São os mesmos que respaldaram o golpe de 2016 e levaram a extrema-direita ao governo em 2018. 

Corintiano empedernido, na fase em que meu time está não é raro que eu erre previsões sobre resultados de jogos, mas até onde percebo, acho que não me enganarei se afirmar que a pressão sobre o presidente Lula será inócua pela simples razão de que algo conheço da alma humana. Por razões de gratidão e fé, Lula não vai defraudar seus compromissos sociais nem conspurcar sua relação fraternal com o MST. Continuará fazendo ouvidos moucos à gritaria, mesmo que para isso tenha que contrariar o azedume e a incoerência de alguns auxiliares. 

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No afã persecutório e punitivo do MST, os latifundiários-capitalistas travestidos de “agro pop”, forcejam a criação de uma CPI inconstitucional, gastam rios de dinheiro em campanhas publicitárias, alugam bocas, penas e manipuladores de mídias digitais para indispor o MST com a opinião pública. Mobilizam um arsenal de argumentos, todos vazados em deturpações e mentiras, para isolar politicamente a liderança do movimento, desmoralizar a organização e evoluir para a punição com base na urdidura de algum tipo penal. 

O MST é um movimento social das massas camponesas, apartidário, voltado para a organização e mobilização do campesinato brasieiro. Sua missão é conquistar a reforma agrária, nos marcos de uma visão estratégica de realizar um Projeto Popular para o Brasil. É um movimento capilarizado e enraizado no país e, desde sua fundação, há quase 40 anos, que completará em 2024, dá uma contribuição essencial para fazer valer os direitos dos trabalhadores rurais. Realiza um admirável trabalho para assentar famílias camponesas. Articula-se com os demais movimentos sociais e forças democráticas do país, participando também das lutas gerais do povo brasileiro por democracia, soberania nacional e justiça social. Adquiriu prestígio internacional e desenvolve atividade de solidariedade com outros povos e nações. 

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Seu surgimento em 1984 não foi um raio em céu azul. Desde o período colonial houve lutas camponesas no Brasil, ainda que desorganizadas e espontâneas. A Lei de Terras de 1850, ao invés de ser uma resposta a essa demanda, consolidou a concentração fundiária. 

O acúmulo de lutas pela reforma agrária a partir do final da escravatura e do advento da República resultou décadas depois na criação das Ligas Camponesas nos anos 1950. A reforma agrária ocupava lugar de destaque entre as lutas estratégicas do povo brasileiro na perspectiva de uma revolução nacional e democrática. 

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A brutal concentração latifundiária, combinada com a modernização capitalista da agricultura durante a vigência da ditadura militar, aumentou a desapropriação camponesa, a grilagem de terras, a intensificação da opressão e exploração dos trabalhadores rurais. A criação do MST é consequência disso e sua atividade no campo e nas cidades se justifica por ser uma ação socialmente emancipadora. 

O clamor pela repressão ao MST é antediluviano. É um regresso à Idade Média do século 14 europeu, ao escravismo-colonial brasileiro, à República Velha e à ditadura militar.  Na Europa medieval, quando os camponeses, atirados à miséria mais espantosa e destituídos da terra faziam rebeliões espontâneas, conhecidas como "jacqueries"(*), eram afogados em sangue. No Brasil, durante cinco séculos, as classes dominantes se impuseram com o látego e o fuzil, vitimando principalmente o campesinato. 

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O tempo histórico dessas iniquidades acabou, embora ainda persistam. As classes dominantes brasileiras, imersas na sua mais obscura ignorância, são incapazes de compreender que as rebeliões camponesas primordiais não tinham propriamente ideologia, eram expressões da sagrada revolta das massas camponesas despossuídas. E não enxergam que as grandes revoluções burguesas tiveram entre suas forças motrizes o campesinato e como corolário social a reforma agrária. França, EUA, Inglaterra e México são os exemplos mais salientes. 

O impulso de pôr as lideranças do MST em cadafalsos e pelotões de fuzilamento é atávico, mas é também anacrônico. O tempo histórico enriqueceu o povo de sentimentos de repulsa à opressão e à repressão.  

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Para o povo pobre e oprimido a derrota da ditadura e o advento da democracia em 1985 foram acima de tudo a conquista do direito de lutar. A rejeição à extrema-direita e o retorno de Lula à Presidência da República nas últimas eleições, também foi um resgate deste sagrado direito. Não é agora que será abolido. 

(*) Deriva de Jacques, nome próprio muito usado na França

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