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Marcus Atalla

Graduação em Imagem e Som - UFSCAR, graduação em Direito - USF. Especialização em Jornalismo - FDA, especialização em Jornalismo Investigativo - FMU

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Araçatuba, o Assalto Midiático

O assalto em Araçatuba, ocorrido nesta madrugada (30), traz algumas características sui generis. O modus operandi difere dos assaltos acontecidos ano passado.

Dois homens armados conduzem uma fila com quatro reféns, alinhados lado a lado, por uma rua de Araçatuba. (Foto: Reprodução)

O assalto em Araçatuba, ocorrido nesta madrugada (30), traz algumas características sui generis. O modus operandi difere dos assaltos acontecidos ano passado.

A sequência de assaltos realizados ano passado, têm como modus operandi, serem bem organizados, vários homens bem armados, usa-se veículos para fechar ruas, desse modo, obstruindo a movimentação da polícia pela cidade. Atira-se a esmo para assustar a população e os agentes da lei. 

Escolhe-se cidades pequenas do interior, porém, a principal estratégia é a velocidade em que acontece toda a ação. Não mais que 30 minutos. Isso porque, a polícia das pequenas cidades não estão preparadas para coibir assaltantes bem armados. É preciso requisitar apoio das polícias das cidades médias e grandes da região. Pela velocidade que ocorre toda a ação, quando o apoio policial chega, os assaltantes já foram embora com o roubo.

A operação ocorrida nesta madrugada foge do padrão justamente por esse motivo, o tempo. O roubo em Araçatuba durou cerca de duas horas. Foram feitos reféns que estiveram obrigados a desfilarem pelas ruas como escudos humanos. Outros, colocados em cima de veículos que passeavam pelo bairro.

A maior vantagem deste tipo de assalto é a velocidade em que ocorrem, quando a polícia consegue se organizar e receber reforços, os criminosos já estão bem longe. Portanto, não há necessidade nenhuma de se fazer reféns.

 Fazer reféns dá trabalho, aumenta as variáveis de incerteza. Tem-se que disponibilizar homens que poderiam estar vigiando, monitorando o rádio da polícia, carregando o dinheiro, em vez de perdendo tempo cuidando de reféns. Porque resolveram abandonar a tática essencial que lhes dá segurança?

Desta vez, não foi um simples assalto, foi também uma operação midiática. O objetivo também foi o de causar pânico, aumentar a sensação de risco, caos, medo e insegurança. Falta observar quem vai colher os louros e se beneficiar com a ação propagandista. 

Será o bolsonarismo? Os militares como os detentores da ordem? Ou, o terceira via, João Dória?

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.