Articulação política gerencial

Não adianta nem a The Economist dizer que ela entregou o governo para Michel e Levy. Não cola. Nem a Moody's acredita

Não adianta nem a The Economist dizer que ela entregou o governo para Michel e Levy. Não cola. Nem a Moody's acredita
Não adianta nem a The Economist dizer que ela entregou o governo para Michel e Levy. Não cola. Nem a Moody's acredita (Foto: Alberto Militanque)

Em primeiro lugar, é importante registrar aos que seguem reclamando que a base aliada (leia-se PMDB como alvo primeiro desta assertiva) não é fiel ("é até pior que o PSDB na oposição)", que todos sabem que não podemos contar com ela para tudo. Quem acreditou que sim está no mesmo nível de inocência - no mal sentido - de quem pensa ser possível, na democracia brasileira atual, governar sem ela.

Aí, assunto o propriamente dito.

A quarta etapa da reação tem dois marcos:

1) O PSDB dividido. Com o arrefecer da ruas, a recuperação da Petrobrás, a manutenção do grau de investimentos pela agências de risco, a retomada do diálogo com os EUA e a insistência de Eduardo Cunha em dizer que Impeachment não passa na Câmara, Serra, FHC, Alckmin, Perillo deixaram Aécio isolado . Vão deixar ele levar o seu terceiro turno até o "fim" e, quando perder, estará fora do jogo de 2018, desmoralizado como líder conjuntural perante o MBL, Vem Pra Rua etc, e na pista de decolagem da Lava-Jato/Furnas na PGR e STF. Como dividiram o PSDB? Com diálogo pontual, apoio à seca paulista, cooperação institucional republicana (vide Goiás) e os movimentos para amenizar o desconforto com o PMDB.

2) O PMDB também está dividido. Com a batalha da Terceirização e a rejeição popular à medida, que gerou freios de arrumação na Câmara, Renan, liderança a mais tempo que Cunha, optou por não bancar o projeto até o fim, mesmo com o esforço do presidente da Câmara de votar o PL de qualquer jeito esta semana, aprovando a proposta original por reles 24 votos.

Cunha presta contas aos financiadores de campanha, ao baixo clero que o elegeu e a uma suposta opinião pública que cobra uma "Câmara que faz". Renan vai aproveitar o desgaste de Cunha neste caso para produzir um diálogo mais qualificado com o governo, com o mundo empresarial e...com os movimentos sindicais e a sociedade em geral.

Neste caso, pesou a ameaça implícita de veto ao PL, as declarações presidenciais de que não aceitaria ataque à CLT, mas, ao mesmo tempo, não ter tomado nenhuma posição radical a priori, do tipo "se passar, vetarei", além de diálogo aberto e composições tanto com Renan, quanto com Cunha, pela presidenta, e tentativas de acordo por parte de José Guimarães, líder no Governo na Câmara. Por isso, Cunha não responde às posições do governo com ameaça de deixar correr, por exemplo, pedidos de Impeachment.

Com os setores mais radicalizados do PSDB e PMDB em processo de enconchamento, e as boas notícias da economia em recuperação (repito a Petrobrás, as negociações sobre o ajuste fiscal, o dados da CAGED de ontem...) e da articulação política (o "gol" da indicação de Michel Temer), a conjuntura vai ficando mais favorável.

Obra da Coração Valente. Não adianta nem a The Economist dizer que ela entregou o governo para Michel e Levy. Não cola. Nem a Moody's acredita.

O modus operandi dela, "nem tanto ao céu, nem tanto à terra" vem dando certo. Vai saindo do labirinto sem precisar entregar anéis e dedos do governo. É a "articulação política gerencial"? Que gestão sem política é uma falácia ou um erro crasso, todos sabemos, mas que a articulação política precisa de gestão é uma boa novidade.

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