Artigos de ministro da Casa Civil não devem ser lidos como algo sério. São mera estratégia de distração política, marketing

Ciro Nogueira assina, em intervalo de 48h, dois artigos em jornais tradicionais: quer se cacifar para o debate. Textos são contorcionismo verbal

www.brasil247.com - credito: Isac Nóbrega/PR | Reprodução
credito: Isac Nóbrega/PR | Reprodução


Por Luís Costa Pinto, do 247.

Dois artigos, dois cartuchos vazios, de pólvora seca, lançados contra o ex-presidente Lula e o PT para tentar se posicionar no debate. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, depois de ter sido convertido a “todo poderoso” do Palácio do Planalto e de ter subjugado o ministro da Economia, Paulo Guedes, na condução do Orçamento, e a ministra da Articulação, Flávia Arruda, na organização da linha política do governo, vende-se agora como zagueiro-central do chefe, Jair Bolsonaro.

Em O Globo, no último domingo, e na Folha de S Paulo, nesta terça-feira, Nogueira assina artigos com platitudes de extrema-direita para tentar virar vértice de debates na campanha eleitoral. Campanha da qual ficará de fora, pois desistiu de competir contra o PT, em seu estado, o Piauí.

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Num dos textos, o ministro da Casa Civil expõe a estratégia de fazer Bolsonaro voltar a polarizar com Lula na disputa pré-eleitoral e tenta roubar para o atual governo o papel de guardião da desastrosa reforma trabalhista promovida nos tempos de Michel Temer. É a tal história, poder-se-ia dizer, até com as mesóclises de Temer: ladrão que rouba ladrão, sei não… 

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A reforma trabalhista, como se sabe, gerou desemprego e instabilidade no mercado de trabalho. Tornou precárias as relações entre o trabalhador e seus empregadores. Pôs fim a direitos consagrados pela Consolidação das Leis Trabalhistas, como o repouso remunerado e o contrato de trabalho por horário fixo, além de ter jogado o direito a férias e a 13º numa zona cinza de “livre negociação” entre patrões e empregados. Lula já disse que vai rever essa famigerada reforma. Bolsonaro a defende.

Na Folha, Nogueira brinca com um jogo pueril (se quisermos ser condescendentes com ele, ou com quem escreveu o artigo que ele assina, porque também se pode dizer que é má-fé política) de silogismos para dizer que o PT tenta radicalizar a campanha no 1º turno para brincar de unir o Brasil no 2º turno como se estivesse a escrever uma nova “Carta ao Povo Brasileiro” sem precisar redigir texto novo.

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 Ora, sabemos todos que o ex-presidente Lula é forte candidato a vencer essa eleição no 1º turno ainda, unindo o País contra a vilania, contra a ignorância, contra a desumanidade e contra as insensatezes de Jair Bolsonaro. E que, na construção desse caminho de uma possível vitória em primeiro turno – caso os cenários sigam como estão, o que é difícil em se tratando de Brasil e porque a eleição se dará dentro de longínquos oito meses – Lula faz desde já uma trajetória da esquerda ao centro. As árduas negociações para ter o ex-governador paulista Geraldo Alckmin como vice, preservando apoios à esquerda, são prova disso.

 Ciro Nogueira disse que Lula e o PT querem “emular” o jovem socialista Gabriel Boric, vitorioso na disputa pela Presidência do Chile. Ora, ora: Boric, ele próprio, já disse que tem muito a aprender com a hábil prática da Política, com P maiúsculo, exercida por Lula. 

Ciro, ele próprio, e o escriba que o serve, é quem deseja emular – sem nenhuma chance de sucesso – o estilo perspicaz de fazer política do Doutor Ulysses.

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Quando era tri-presidente, da Câmara dos Deputados, da Assembleia Nacional Constituinte e do PMDB, maior partido do Congresso, entre 1987 e 1989, Ulysses Guimarães reunia os parlamentares mais chegados no reservado do gabinete da presidência da Câmara e definia, ali, a frase que diria no Salão Verde do Congresso ao sair a caminho do elevador. Seria a frase com a qual os jornais dormiriam em suas manchetes, nas elucubrações, nas análises. 

Eram recados políticos, às vezes pequenas maldades, às vezes meras vendetas. De manhã cedo, Doutor Ulysses chamava o fiel escudeiro Oswaldo Manicardi a seu apartamento funcional, um ou outro integrante da Turma do Poire, o grupo de amigos que bebia licor de pera ao fim de demorados jantares no restaurante Piantella e, juntos, eles definiam a frase que o “velho timoneiro” diria ao chegar ao Congresso, enquanto cruzava o Salão Verde. 

Aquela seria a “pauta” do dia, lançada aos jornalistas de plantão para...: pautar o dia.

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Não, Ciro não conseguiu isso com os artigos de retórica quase infantil que cometeu. No máximo, emulou um desenho animado que fez sucesso no final dos anos 1990, começo dos anos 2000, num canal chamado Cartoon Network. 

Era Pinky&Cérebro. Um rato alto e magro, meio abobalhado, tipo tiozão do pavê, como um Bolsonaro, sem o discurso de ódio de Bolsonaro, claro; e um outro ratinho mais baixinho, atarracado, que se achava o gênio do pedaço; um astucioso tipo personagem de outra série infantil, Chaves.... que falava platitudes meio malignas e era o Cérebro da dupla. Ninguém levava a sério, mas, davam boas piadas.

 Pinky e Cérebro reencarnaram no Palácio do Planalto e o roteirista dessa insensatez redigiu os artigos que Ciro Nogueira assinou domingo e nesta 3ª, em O Globo e na Folha de S Paulo. Coisas assim são para uso como distração, divertimento: que não sejam levadas a sério. 

Vá no link, para assistir a essa análise em boletim da TV 247:

 


Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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