As delações de Joesley - 99% certeiro, mas aquele 1% oportunista

Um dia antes de vazar os áudios, com o dólar estável, a JBS comprou quase US$ 1 bilhão e, segundo denúncias, sabendo que este viria a valorizar com a instabilidade do cenário político. Longe de isentar Temer, mas é fundamental termos compreensão que, apesar de tudo, as delações e as evidências que surgem neste momento favorecem também setores empresariais sem qualquer responsabilidade com a soberania do Brasil

Data: 24/02/2010       
Editoria: Agronegocios
Reporter: Alda do Amaral Rocha
Local: Lins, SP                                         
Pauta: A Bertin nas maos da JBS e os efeitos em Lins.
Personagem: Fachada da JBS.
Foto: Ana Paula Paiva/Valor
Data: 24/02/2010 Editoria: Agronegocios Reporter: Alda do Amaral Rocha Local: Lins, SP Pauta: A Bertin nas maos da JBS e os efeitos em Lins. Personagem: Fachada da JBS. Foto: Ana Paula Paiva/Valor (Foto: Ergon Cugler)

Um dos maiores cenários de instabilidade política, desde o processo de Impeachment de Dilma Rousseff, com certeza foi a delação de Joesley Santana (JBS) com áudios de Temer autorizando pagamento de propina para comprar o silêncio de Eduardo Cunha. Há quem diga que a denúncia veio em hora certa, e até demais, demonstrando movimentações nos bastidores para uma eventual queda de Temer para consagrar o plano de eleições indiretas.

A referência de "1% oportunista" vem da música de "Wesley Safadão", mas safado mesmo, ou melhor, doentio, é tal setor empresarial que segue manipulando o cenário político e econômico somente para enriquecimento próprio, sem pensar nos males para a nação.

Um dia antes de vazar os áudios, com o dólar estável, a JBS comprou quase US$ 1 bilhão e, segundo denúncias, sabendo que este viria a valorizar com a instabilidade do cenário político. Resultante, foram US$ 170 milhões de lucro em cima de uma variação de mais de 8% na cota da moeda americana em relação ao real - sendo a maior nos últimos 18 meses.

Cabe agora à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigar o possível crime de operação do mercado financeiro, aliás, um mês após as gravações (abril) a JBS teria vendido R$ 32 milhões em ações, possivelmente como forma de amenizar a queda das ações advinda dos escândalos de corrupção envolvendo a companhia em um eventual vazamento dos áudios.

Longe de isentar Michel Temer das negociatas com a JBS e de todo processo banhado em corrupção que o colocou em tal posição, mas é fundamental termos compreensão que, apesar de tudo, as delações e as evidências que surgem neste momento favorecem também setores empresariais sem qualquer responsabilidade com a soberania do Brasil.

Por outro lado, as delações de Joesley e a incidência da Rede Globo sobre o caso nos mostra que Temer é figura marcada para avançar nos interesses corporativos das grandes empresas através de eleições indiretas. Aí mora o perigo!

Que Temer cairá, é evidente, o que nos resta saber é se cairá fronte à frente ampla e à mobilização popular garantindo a soberania, ou se cairá através do poder da grande mídia e das grandes corporações, as quais traçam caminho longo pela hegemonia do poder.

Mais do que nunca precisamos ocupar todos os espaços pela unidade da construção de um país soberano e longe da mentirosa "ponte para o futuro" que, seja Temer ou eleições indiretas, será defendida pelo projeto neoliberal de forma mascarada. A impopularidade de Temer e de suas reformas deve ser direcionada intensivamente pela necessidade popular de novas eleições, garantindo estabilidade para o povo brasileiro. Caso contrário, as reformas seguirão no Congresso e irão afundar ainda mais a nação para o abismo de um projeto falido, o qual se sustenta no entreguismo de nossas riquezas ao exterior.

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