Cristiano P. Medina Rigo avatar

Cristiano P. Medina Rigo

Cristiano P. Medina Rigo tem 41 anos e é natural de Altamira, no estado do Pará. Residente em Marabá desde 2010, é um atuante educador popular e militante dos direitos humanos, com forte engajamento em causas sociais e democráticas na região Sul e Sudeste do Pará. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), Cristiano atualmente atua como consultor na empresa IVEB Consultoria e estratégia política. Além disso, é correspondente regional do site Famosos Em Foco, contribuindo com informações e análises sobre acontecimentos locais e personalidades da região.

4 artigos

HOME > blog

As eleições no Pará

As eleições no Pará não estão definidas entre esquerda e direita.

Helder Barbalho (Foto: Reprodução)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

A quatro meses das eleições no Pará, as pesquisas começam a desenhar o cenário da disputa pelo Palácio dos Despachos, sede do governo estadual. É o que indicam os últimos levantamentos eleitorais realizados pelo Instituto Doxa. Está clara a polarização no estado entre o grupo de Helder Barbalho (MDB), que governa o Pará há oito anos, e seu ex-aliado, Dr. Daniel Santos (Podemos), que deixou o mandato de prefeito de Ananindeua, segunda cidade mais populosa do Pará, para disputar o governo.

As eleições no Pará não estão definidas entre esquerda e direita. A configuração atual apresenta, de um lado, um campo hegemônico liderado pelo governador Helder Barbalho (MDB), com amplo apoio de prefeitos e deputados, além de alinhamento com o governo federal e com o campo progressista. Do outro lado, está uma direita ultraconservadora que disputou as últimas eleições com resultados medianos, vinculada ao bolsonarismo e à ascensão de Dr. Daniel Santos (Podemos), cuja candidatura representa uma mutação entre populismo e extrema direita. Daniel vem acirrando as pesquisas com a atual vice-governadora Hana Ghassan, sucessora política de Helder Barbalho, ambos do MDB. A candidatura de Dr. Daniel Santos se consolida como expressão da direita ultraconservadora no Pará.

Hana Ghassan, que aparece com 30,4% da preferência do eleitorado paraense, poderá ser a próxima governadora do Pará. Por que faço essa afirmação? Aqui não se trata apenas de uma análise de pesquisa eleitoral, embora Hana venha despontando à frente de Dr. Daniel Santos, que registra 24,8% da preferência do eleitorado. A política é definida pela capacidade de articulação de forças, poder e alianças estratégicas, pautadas também pelo poder econômico e pela engenharia da máquina do Estado.

Essas características estão na mesa do governador Helder Barbalho, que tem seu pai, o senador Jader Barbalho (MDB), como o maior estrategista político do estado. O senador Beto Faro (PT), fiel escudeiro do governador, demonstra lealdade maior aos Barbalho do que a qualquer decisão política de seu próprio partido. São interesses políticos que determinam essa relação. Jader Filho (MDB), que ocupou um dos ministérios mais importantes do governo federal, o Ministério das Cidades, também sela a relação entre o governo federal e o governo estadual.

O grupo político de Helder tem maioria na Assembleia Legislativa do Pará, além da presidência da Casa, e trabalha pela possibilidade de construir o segundo nome para o Senado. Nesse cenário, aparece a construção do nome do deputado Chicão (União Brasil), ex-presidente da Alepa (Assembleia Legislativa do Pará). Também corre por fora e vem ganhando terreno o ex-ministro do Turismo Celso Sabino (PDT). O grupo de Helder tem uma estrutura poderosa do Estado nas mãos, embora não tenha controle total sobre o voto.

É preciso destacar que Helder Barbalho lidera as pesquisas para o Senado com folga, chegando a 27,2%. O MDB venceu as eleições na capital contra a extrema direita em 2024, com seu primo Igor Normando, hoje recém-filiado ao PSDB. Nesse embalo, a maioria dos prefeitos está com Helder. Com esses elementos e outros que não pontuei, cravo que a próxima governadora será Hana Ghassan. Não há, neste momento, previsibilidade brusca de mudança nesse tabuleiro.

Helder também joga pesado na eleição da segunda cadeira do Senado e tem chances reais de eleger seu fiel escudeiro para a segunda vaga no Pará. Porém, mesmo com todo o esforço do ex-governador e de seu grupo, Chicão aparece em quinto lugar, com 13,4%. Esse jogo os Barbalho conhecem bem, mas também já foram apunhalados pelas costas. Foi o que ocorreu na eleição de Zequinha Marinho (Podemos), que traiu seu pai, Jader Barbalho. Essa conta ainda vai chegar. Zequinha Marinho só se tornou senador porque Jader Barbalho o colocou debaixo do braço e o levou até as urnas. Outro exemplo é Beto Faro (PT), nas eleições de 2022, que hoje é mais fiel aos Barbalho do que a qualquer decisão de seu próprio partido.

Para o Senado, há quatro candidaturas que devem disputar uma cadeira, uma vez que Helder Barbalho (MDB) lidera isoladamente. Na sequência aparece o extremista de direita delegado Éder Mauro (PL), com 15,5%. Em terceiro lugar está o atual senador Zequinha Marinho (Podemos), de direita, com 14,9%. Na quarta colocação está o ex-ministro Celso Sabino (PDT), com 14,8%. Em quinto lugar aparece o deputado Chicão (União Brasil), com 13,4%. Éder Mauro, Zequinha Marinho e Chicão seguem tecnicamente empatados.

Hoje, quem tem maior potencial de crescimento é Celso Sabino. Além de apresentar uma candidatura com baixa rejeição, ele conta com apoio do governo federal, da ex-governadora Ana Júlia Carepa (PT) e do ex-senador Paulo Rocha (PT), que mantêm interlocução direta com o presidente do PT, Edinho Silva, e com o ex-ministro José Dirceu, ambos empenhados nessa construção por orientação do presidente Lula.

Celso Sabino sempre foi um fiel escudeiro do governo do presidente Lula, tanto quando esteve à frente da pasta do Turismo quanto em sua atuação como deputado federal. Ele enfrentou, inclusive, a cúpula de seu antigo partido, o União Brasil, que hoje está com o deputado Chicão. As candidaturas da extrema direita, Éder Mauro e Zequinha Marinho, estão empatadas e provavelmente chegaram ao teto, embora sigam perigosas. Por outro lado, o crescimento de Chicão se deve ao grupo de Helder. O risco é essa candidatura retirar votos de Celso Sabino e entregar, de graça, uma cadeira no Senado para a extrema direita.

Fonte: https://www.pesquisasdoxa.com/post/hana-ghassan-aparece-na-frente-em-pesquisa-doxa-para-governo-do-para

Cristiano de Lima Medina Rigo é educador popular e militante dos direitos humanos. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Medina atua como consultor na empresa IVEB Consultoria e Estratégia Política. É analista e advogado.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.