As flores vencendo canhões?

O movimento de mulheres que ocupou as ruas não parece disposto voltar para casa de mãos abanando. Quer trazer a vitória das eleições, participar do governo, mais democracia, o restabelecimento da legalidade, a união nacional pelo desenvolvimento sustentável, superação da pobreza e da desigualdade, e barrar o fascismo

As flores vencendo canhões?
As flores vencendo canhões? (Foto: Túlio Ribeiro)
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"Foi bonita a festa, pa. Fiquei contente". O Brasil que se levantou dia 29 de setembro parece ter surgido de entre quatro paredes, da alcova do lar, de uma conversa puxada pelas mulheres.

Saiu pela porta de casa de bandeira em punho, lotou e coloriu ruas e praças das menores às maiores cidades do país para dizer "Não" ao fascismo, às suas derivações, e ao seu representante: o candidato Jair Bolsonaro.

Denunciou ao país, ao mundo, a ameaça que ele representa 'a democracia e carimbou a cédula eleitoral dele com "Ele não!".

Quem foi às ruas pode perceber, nas multidões, a presença viva de forças políticas cidadãs formadas por mulheres e homens que mantém a chama da luta que derrotou a ditadura militar e restabeleceu as liberdades democráticas, apoiou a elaboração da Constituição de 1988, afirma direitos, não reconhece o governo golpista, luta por Lula Livre e pela consolidação da democracia.

O Brasil que experimentou direitos nos governos Lula e Dilma e tem a democracia como valor quer avançar. Não aceita o retrocesso. Quer liberdade, justiça, outras formas do viver com garantias econômicas, sociais, fruição da cultura, asseguradas pelas instituições, e construir a nação democrática.

O golpe de 2016, em ruína, afundou junto com o centro-direita que o apoiou. Sobrou a extrema direita, o fascismo, sustentado basicamente por think tanks que pregam o ultra liberalismo, o conservadorismo, para os nativos, juntamente com igrejas que cultivam costumes retrógrados, redes de fake news que fazem o serviço sujo da manipulação da informação, a propaganda ideológica das grandes corporações empresariais e bancárias nacionais e internacionais.

O nacionalismo nas forças armadas parece coisa do passado. Oficiais militares da reserva, que ostentaram alta patente até pouco tempo, na campanha do candidato Bolsonaro têm-se comportado como se fossem feitores modernos, gerentes de interesses externos, do patronato de grandes negócios internacionais, numa espécie de associação colonialista, como se as grandes corporações transnacionais e os grandes bancos tivessem encontrado a proteção ideal para a rapinagem no Brasil.

Defendem abertamente o projeto entreguista, a privatização de todas as empresas estatais, inclusive a Petrobras, capitaneado por Paulo Guedes, um conhecido economista ultraliberal, banqueiro, especulador financeiro de grandes grupos internacionais.

Um projeto fundamentado no desmonte do Estado, na vulnerabilidade institucional para facilitar transações mercantis, na subtração de direitos dos trabalhadores, no fim da estabilidade dos servidores públicos, da previdência pública, na terceirização dos serviços públicos, entre outras barbaridades.

A submissão aos interesses externos chegou ao ponto de o candidato Jair Bolsonaro, num evento em Miami, bater continência para a bandeira dos Estados Unidos. Difícil imaginar que um militar dos Estados Unidos fizesse o mesmo diante da bandeira do Brasil.

O mais interessante dessa reta final da campanha eleitoral é que a candidatura Bolsonaro, e tudo que ele representa, uniu o campo de centro-esquerda e as pautas dos movimentos sociais que defendem o Brasil e a construção da sociedade democrática.

O Partido dos Trabalhadores lidera a disputa eleitoral com a candidatura Fernando Haddad, que se apresenta com um consistente projeto de desenvolvimento sustentável e inclusão social, um plano de investimentos imediatos para a geração de empregos e melhoria da renda, tendo o Estado como indutor do crescimento para tirar o país da crise, e um projeto de educação para superação do atraso, entre outras propostas.

O movimento de mulheres que ocupou as ruas não parece disposto voltar para casa de mãos abanando. Quer trazer a vitória das eleições, participar do governo, mais democracia, o restabelecimento da legalidade, a união nacional pelo desenvolvimento sustentável, superação da pobreza e da desigualdade, e barrar o fascismo.

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