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Jair de Souza

Economista formado pela UFRJ, mestre em linguística também pela UFRJ

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As lições inesquecíveis de maio de 1871

Comuna de Paris revela lições atuais sobre luta de classes, unidade popular e enfrentamento ao poder das elites

As lições inesquecíveis de maio de 1871 (Foto: Gerada por IA/DALL-E)

Com a aproximação do mês de maio, a memória de todos os que sonhamos com um mundo onde imperem a justiça, a solidariedade e a fraternidade se volta inexoravelmente para a heroica façanha daqueles homens e mulheres que, 155 anos atrás, se empenharam na luta prática para construir a primeira experiência de sociedade na qual a dignidade, a igualdade de direitos e a solidariedade entre todos os seus habitantes lhe servissem de base e fundamento, ou seja, uma em que não prevalecesse a brutal opulência de poucos apaniguados sobre as necessidades da ampla maioria.

Evidentemente, estou me referindo à Comuna de Paris, a primeira tentativa de revolução social do mundo levada adiante de forma consciente, tendo como princípios norteadores os interesses, sentimentos e aspirações das classes trabalhadoras.

Contudo, como sabemos, essa experiência teve curta duração e não logrou vingar, posto que, em menos de dois meses, as forças contrarrevolucionárias conjuntas da burguesia e dos demais exploradores conseguiram, em meio a um pavoroso banho de sangue, derrotar os heroicos lutadores que haviam ousado desafiar o poder e os privilégios dos “bem-nascidos”.

Porém, não obstante haver fracassado em consolidar o objetivo de emancipação almejado, a Comuna de Paris deve sempre ser vista e sentida como um marco de suma relevância para todas as subsequentes batalhas visando à edificação de um novo mundo que venham a ser travadas pelas classes trabalhadoras de todos os países.

O certo é que o sacrifício e o martírio daqueles abnegados que se entregaram de corpo e alma a uma tarefa tão difícil, mesmo em flagrante inferioridade material, legaram-nos inúmeras e imprescindíveis lições, as quais todos os lutadores do campo popular, nos dias de hoje, têm o dever moral de recuperar e valorizar devidamente.

O primeiro grande ensinamento a extrair daquela malograda experiência é ter clareza de que não há ódio mais virulento que o das classes dominantes em relação a qualquer tentativa do povo trabalhador de pôr fim a seus privilégios. Para a burguesia e para os exploradores de modo geral, nada pode ser mais intolerável do que ver gente de extração humilde ousando ter a pretensão de ocupar espaços considerados como exclusivos das classes apaniguadas. O ódio de classes que se fez presente no momento da Comuna continua sendo destilado com igual intensidade na atualidade.

Outro ponto que se mantém inteiramente válido é a necessidade de que reconheçamos a importância do papel da mulher nos processos de luta por transformações revolucionárias. Nenhum movimento é digno de considerar-se realmente libertador se não permitir e possibilitar que suas mulheres exerçam o mesmo protagonismo que seus companheiros masculinos.

Também deve servir-nos como instigador de reflexões a constatação da necessidade de atuação conjunta e coordenada entre as diversificadas vertentes que compõem a vanguarda dos setores populares. A Comuna nos ensinou que precisamos aprender a deixar de lado divergências secundárias e pontuais e unificar-nos para enfrentar os reais inimigos de todos nós.

Além do que já foi citado, outra questão que continua na ordem do dia tem a ver com o papel dos meios de comunicação. Muito embora os atuais instrumentos de divulgação de ideias sejam bem diferentes dos que existiam nos tempos da Comuna, os grandes grupos econômicos capitalistas ainda exercem um imenso predomínio em relação à difusão de ideias e pensamentos. Portanto, encontrar maneiras de superar tal desafio permanece sendo um ponto de fundamental relevância para as forças que atuam em favor das maiorias trabalhadoras.

Tendo em conta o panorama que procuramos traçar nas linhas anteriores, gostaria de sugerir, de forma enfática, que vejam com atenção esta valiosa contribuição analítica feita pelo historiador Vladimir Acosta, disponível neste enlace: https://www.dailymotion.com/video/xa781sy. Para facilitar sua compreensão por parte de nosso público, fiz a tradução para o português e inseri as respectivas legendas.

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* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.