As lições que vêm de Israel

Pessoalmente, o que acontece em Israel pode servir de exemplo. É necessário reunir todas as forças anti-Bolsonaro que aqui são chamadas de "Só não Bibi".

www.brasil247.com - Jair Bolsonaro e Benjamin Netanyahu, durante visita ao Muro das Lamentações.
Jair Bolsonaro e Benjamin Netanyahu, durante visita ao Muro das Lamentações. (Foto: Alan Santos/PR)


Como é possível um governo formado por partidos de direita, de centro, de esquerda e árabe dar certo em Israel? Que lições uma coalizão destas nos traz? Coloque ainda o acordo de troca de primeiro-ministro em dois anos e a coisa fica mais surpreendente ainda.

O atual governo de Israel é um verdadeiro saco de gatos. Formado por partidos que até as últimas eleições concorreram de maneira independente, cada um representando um público alinhado ideologicamente as suas raízes e que nunca se imaginaram juntos governando o país.

A primeira lição é a de que em nome do bem maior, é possível encontrar formas de se sentar a mesa com adversários políticos e encontrar pontos em comum. Sim, mesmo separados por ideologias tão diferentes, por crenças tão distintas, por posições contrárias, ainda assim é possível de se encontrar maneiras de superar tudo isto.

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O que todos estes partidos têm em comum é a crença de que mais um governo liderado pelo ex-primeiro ministro Benjamin Netanyahu seria uma tragédia para Israel. Todos concordaram que novas eleições não conseguiriam mudar o panorama dos resultados e que para formar um governo de mudança seriam necessárias concessões ideológicas. Em resumo, todos teriam de engolir um sapo.

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Passados quatro meses a coalizão de 61 congressistas, exatamente um a mais do necessário, segue para enfrentar a votação e aprovação do orçamento anual. Se até o dia 14 de novembro não acontecer a votação, ou se o orçamento não for aprovado, cai o governo e novas eleições são marcadas.

Netanyahu se empenhou pessoalmente em conseguir a traição de um dos congressistas da coalizão governamental. Ofereceu mundos e fundos para isso. Enviou seus mais próximos seguidores para ajudarem na missão. Sua obstinação por voltar ao poder não tem limites. Contudo, não foi feliz e tudo leva a crer que o orçamento será votado e aprovado esta semana ainda.

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A segunda lição é de que cada partido está fazendo em seu ministério, o que é possível ideologicamente falando. Nos ministérios de esquerda vê-se políticas progressistas em prol de todos e especialmente os mais necessitados. Nos de direita, a política neoliberal conhecida e nos de centro, hora aqui, hora ali. O que importa é que existe governabilidade e as coisas estão funcionando.

Como militante de esquerda não é governo dos meus sonhos, mas sendo realista, outro governo exclusivamente de direita, sustentado por partidos religiosos também de direita, seria muito pior em todos os sentidos. Se esta coalizão não atende todos meus anseios, paciência. Num governo fascista como o anterior, nada seria contemplado.

Se este governo vai durar os quatro anos previstos, eu não sei. Muita água ainda vai passar debaixo desta ponte. A oposição joga sujo e tenta diariamente derrubar e afrontar o governo. O acordo de troca de primeiro ministros não será apenas de nomes, vai sair um primeiro ministro de extrema direita e entrar um liberal de centro. Uma mudança significativa que vai mudar a orientação do governo.

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Se olharmos para o Brasil, e o que temos diante de nós para as próximas eleições, está na hora de se buscar e garantir todos os meios para derrotar o fascismo. Pessoalmente, o que acontece em Israel pode servir de exemplo. É necessário reunir todas as forças anti-Bolsonaro que aqui são chamadas de "Só não Bibi".

Vaidades e ideologias vão ter de ser postas de lado. Os pontos em comum encontrados e sobre eles se construir uma Frente Ampla que derrote o fascismo que foi imposto ao Brasil. A mínima hipótese de que ele possa se manter no poder, ou ser substituído por mais do mesmo, será uma tragédia imensurável. Nada pode ser pior.

As cartas estão na mesa e o jogo já começou. Não se fechem em seu círculo de conforto. Olhem adiante, vejam o exemplo de Israel. Todos os que desejam um Brasil diferente sabem que existe apenas um brasileiro capaz disso. Seu nome é Lula e ele precisa liderar uma Frente Ampla capaz de realizar esta mudança de regime.

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