As ruas clamam pela classe trabalhadora

Temer declarou que o governo de Jair Bolsonaro será a continuidade do seu. Ele cometerá os mesmos crimes de lesa-pátria, como os de entregar o patrimônio nacional a outros países e o de aprofundar o arrocho na classe trabalhadora

As ruas clamam pela classe trabalhadora
As ruas clamam pela classe trabalhadora (Foto: Alan Santos/PR)

Temer declarou que o governo de Jair Bolsonaro será a continuidade do seu. Ele cometerá os mesmos crimes de lesa-pátria, como os de entregar o patrimônio nacional a outros países e o de aprofundar o arrocho na classe trabalhadora. Um governo identificado com a ideologia entreguista e subalterna à qual o Brasil foi submetido, em 2016, quando um consórcio do qual este faz parte, formado pela elite e sua imprensa, parte do Judiciário e do Ministério Público, deu um golpe de Estado e suprimiu a democracia. Este mesmo consórcio entreguista e de viés ainda mais autoritário, foi instalado no poder, com o voto direto.

O intento só foi possível devido a uma cultura de ódio contra as esquerdas, mas, sobretudo contra o Partido dos Trabalhadores. O ódio é tamanho que, mesmo diante do avanço do atraso, a sociedade, toda ela, desde à direita, à esquerda, está inerte. Ela ainda não percebeu as perdas políticas econômicas e sociais. É certo que as mobilizações da esquerda têm sido em maior número, mas ainda estamos mais nas redes sociais do que nas ruas. As manifestações ocorridas, em que pesem, todas importantes, representam segmentos específicos da classe trabalhadora, em geral, dos demonizados professores e servidores públicos.

A última grande manifestação genuinamente popular ocorreu, entre os dias 10 e 15 de agosto, quando cinco mil trabalhadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra marcharam 50 quilômetros, durante quatro dias, até o Tribunal Superior Eleitoral, para registrar a candidatura do maior líder da história do Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O então juiz e atual ministro da justiça, Sérgio Moro, tirou Lula da disputa eleitoral, pois ele venceria no primeiro turno. A farsa está aí, à vista de todos. O atua ministro da justiça prefere não se manifestar acerca da escandalosa movimentação financeira do motorista do eleito senador, Fávio Bolsonaro.

O governo eleito é a sequência da desumana reforma trabalhista de Temer, agudizando-a. Bolsonaro a apoiou integralmente, como desejada pelo mercado. Aprovou a terceirização, modelo de contratação que registra oito de cada dez óbitos ocorridos em acidentes de trabalho; a contratação temporária, um novo tipo de escravidão, sob o qual a contribuição para o INSS será de responsabilidade única e exclusiva do trabalhador, que pode receber até menos de um salário mínimo por mês. A população elegeu os algozes de seus direitos trabalhistas.

Parlamentares de países onde há consciência política jamais fazem esse tipo de sugestão à casa legislativa. Em fevereiro, parte dos trabalhadores alemães conquistou redução da jornada de trabalho, porque protegida em leis, e não em desregulamentações do mercado, como já sugeriu Bolsonaro. Ele afirmou, recentemente, que o 13º Salário e as Férias são uma injustiça contra os empresários e que as relações entre o capital e o trabalho devem "se aproximar da informalidade". A sociedade não tem consciência dos 400 anos de escravidão, que acabaram, apenas oficialmente, há 130 anos. Ela admite Impor-se a atrasos sobre atrasos, sem resistência dos trabalhadores. Lástima.

Tanto o 13º quanto as férias não são benesses gentil e generosamente concedidas pelos patrões. São conquistas da classe trabalhadora, debaixo de muita luta, custando, inclusive, a vida de muita/os trabalhadora/es. Durante os governos do PT foram criados quase 20 milhões de empregos com as mesmas mais de 100 leis desfiguradas por Temer e Bolsonaro. Os empresários do consórcio que deram o golpe de 2016 devem bilhões à Seguridade Social. Para privilegiar menos de 10% da população, Bolsonaro cortará nos direitos de mais de 70% da classe trabalhadora, cuja renda não passa de dois salários mínimos. Ninguém, em sã consciência, votaria em alguém que declarasse que o seu programa de governo é o de retirar direitos da classe trabalhadora.

Quem o fará não disse que o faria. Um atentado o tirou da disputa eleitoral, no primeiro turno. Covardia e a ausência de propostas, no segundo turno, o esconderam de qualquer possibilidade de confronto de ideias, comparecendo exclusivamente em ambientes favoráveis à sua candidatura. Agora, direitos fundamentais da classe trabalhadora estão em jogo. Esta está afastada dos seus sindicatos, que também se afastou de suas bases. Somente um reencontro dessas duas forças é capaz de restabelecer a ordem civilizatória das relações entre capital e trabalho. Dispersa, a classe trabalhadora é presa fácil, sempre. E é assim que o mercado a quer. Os sindicatos não precisam ser partidários, mas devem estar, sempre, a lado da classe trabalhadora.

O 13º Salário são horas trabalhadas e não havidas, nas 52 semanas do ano. É cálculo matemático sobre o suor que o trabalhador derrama na empresa e não recebia por isso. Não é um favor. O novo governo anunciou que roubará as horas trabalhadas da classe trabalhadora e não há um único trabalhador nas ruas, como se isso fosse algo menor, ou até mesmo um benefício. Já as férias são um descanso anual, não apenas merecido, mas necessário para o bem do empregado e da própria empresa. O afastamento temporário, com a consciência do retorno, proporciona um bem-estar ao trabalhador, que vai do fisiológico, ao psicológico, passando pelo emocional. A empresa terá de volta um trabalhador descansado e disposto a contribuir para o crescimento da empresa. As ruas clamam por trabalhadores conscientes das irreparáveis perdas Tanto as impostas quanto as anunciadas. Sem resistência, regrediremos a antes de 1889, em 2019. Somente as ruas nos salvam.

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