As sólidas razões que explicam a permanente vantagem de Lula

"Para quem gosta de ver o futuro olhando o passado, o único caso de virada que daria a Bolsonaro a vitória ocorreu há 30 anos e não era como 2022", recorda PML

www.brasil247.com - Fernando Henrique Cardoso, Jair Bolsonaro e Lula
Fernando Henrique Cardoso, Jair Bolsonaro e Lula (Foto: Reprodução/Facebook | Alan Santos/PR | Ricardo Stuckert)


Vamos recordar fatos significativos. Em 1994, a situação era inteiramente favorável ao candidato de oposição. Em 13 de junho daquele ano, Lula tinha 41% contra 19% para FHC no último Data Folha disponível. O Real foi lançado em 1 de julho. 

No dia 26 de julho, FHC subiu para 36% e Lula caiu para 29. Em 8 de agosto, FHC tinha chegado a 41% e Lula estava com 24%. Foi assim até a eleição, que FHC venceu no primeiro turno.

Um dos primeiros a fazer um paralelo entre 1994 e 2022, César Felício escreveu no Valor (22/07/2022) que "uma virada se dará se dez pontos percentuais de Lula forem transferidos para Bolsonaro". Ou seja: não basta, para Bolsonaro, crescer dez pontos. É preciso que Lula perca outros dez. É possível mas "é improvável", escreveu Felício.

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Analisando o impacto possível do Auxílio Brasil nas urnas de 2022, Antonio Lavareda disse que o eleitor não vota por gratidão, recorda Maria Hermínia Tavares de Almeida (Folha de S. Paulo, 4 de agosto 2022). "Escolhe de olho no futuro, "acrescenta a professora, explicando que o eleitor constrói seu voto num processo "retrospectivo-prospectivo", no qual a experiencia passada é parte essencial para o cálculo futuro.

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"Fosse o adversário do ex-capitão um candidato com a cara da elite e nada a mostrar em benefício dos mais vulneráveis, os R$ 600 por mês garantidos só até dezembro, nunca se esqueça, talvez pudessem conduzir o dedo do eleitor diante da urna eletrônica em favor de quem tanto a difama,"escreve Maria Hermínia.

Ela acrescenta: "Se os eleitores buscam no passado dos candidatos arrimo para as esperanças futuras, não há Auxílio Brasil capaz de borrar, lá no rés do chão, o contraste entre os idos de Lula e a experiência recente de morte de famíliares na pandemia; do emprego perdido; do pequeno negócio falido; e, sobretudo, da inflação que espreme os ganhos já de si parcos e incertos".

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Reunindo dados colhidos ao longo dos anos por pesquisadores da realidade social brasileira, em particular a professora Marta Arretche, da USP, Maria Hermínia menciona mudanças de porte na  vida de dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras. Fala dos "efeitos eleitorais favoráveis ao PT nos municípios beneficiados pelo Luz para Todos, que estendeu a iluminação elétrica aos grotões que dependiam de querosene e da tração humana e animal, mesmo neste século 21. Sem falar na nacionalização do Programa de Saúde da Família, que levou o SUS de casa em casa. E nas políticas de acesso à universidade -- Prouni, cotas, graças às quais disparou o número de pobres e negros entre os ingressantes de primeira geração no ensino superior".

Se todos sabemos que as campanhas eleitorais envolvem truques de marketing e armações marotas, a campanha de Lula se apoia num fator com outra consistência -- a experiência vivida e insubstituível por cada um dos 215 milhões de brasileiros e brasileiras.

Essa diferença não garante uma vitória por antecipação mas ajuda a entender o ambiente de barafunda explícita na campanha adversária.

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