Até o último de nós

O rio Doce é milenar, provedor de água, sustento e esperança para muitas pessoas ao longo de sua vida. Ele foi secando aos poucos e esse desastre foi o tiro de misericórdia; a Samarco, por fim, executou o rio Doce a sangue frio

Bombeiros procuram vítimas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG) que foi inundado por lama após rompimento de barragens da mineradora Samarco. 08/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes
Bombeiros procuram vítimas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG) que foi inundado por lama após rompimento de barragens da mineradora Samarco. 08/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes (Foto: Lucas Rodrigo Ogawa)

Este mês tivemos e estamos tendo um vislumbre da verdadeira faceta do ser humano como animal racional irracionalmente amante do poder.

No último dia 5 de novembro, uma barragem contendo rejeitos tóxicos - metais pesados, principalmente, como manganês e arsênio, extremamente tóxicos - se rompeu e espalhou os mais de 62 milhões de metros cúbicos de pura merda tóxica no rio Doce. O rio Doce é milenar, provedor de água, sustento e esperança para muitas pessoas ao longo de sua vida. Ele foi secando aos poucos e esse desastre foi o tiro de misericórdia; a Samarco, por fim, executou o rio Doce a sangue frio.

Na semana passada, ocorreram os atentados de Paris, na França. Protagonizados por extremistas islâmicos, membros do ISIS, os ataques mataram pelo menos 130 pessoas e deixaram mais de 350 feridos. Acontecidos em três locais diferentes (um restaurante, uma casa de shows e um estádio de futebol), esses atos horrorizaram a comunidade internacional e reavivaram o temor ao Oriente Médio. A França sangrou na sexta-feira 13.

E tudo isso gerado pela ganância. Pela vingança. Pela sede de violência inerente ao espírito humano. Morte, em todo extensível significado, é válido se, afinal, houver lucro. O lucro pode vir de várias maneiras diferentes, seja pelo capital ou seja pelo deleite de ver seus antigos inimigos definharem de dor. Tudo. Válido.

Mas isso tudo compensa, sabe? Para alguém compensa. Você não está vendo, mas, pra toda merda, toda desgraça que acontece no mundo, ALGUÉM sai ganhando, e muito, com isso. Seja causa ou consequência.

O Doce foi morto porque a Samarco sugou e negligenciou o rio e seus recursos até a última gota. Não agredi-lo diminuiria os lucros. Não depositar rejeitos em local arriscado diminuiria os lucros. Construir uma barragem estável diminuiria os lucros.

E, sobre os atentados de Paris, pode ter certeza: essa foi uma resposta para alguém que lucrou demais. Ora, o petróleo mundial provém das jazidas do Oriente Médio e, mesmo que não seja diretamente, a militarização e a instauração de uma situação caótica inspirou represálias aos beneficiados dessa violência. Enquanto houver pessoas habitando esse planeta que, aos poucos, chega ao fim, teremos pessoas morrendo para outras terem mais poder; um pouco mais de importância auto imposta que ele e os amigos violentamente usurparam do curso natural.

Somos todos animais irracionais fixados em algum objetivo. Sexo, violência, audiência, dinheiro, poder, influência, paz, guerra, lucro, morte. A empresa destrói por dinheiro. O deputado sanciona por poder. O poder forma as empresas. Os terroristas matam por vingança. O repórter filma por audiência. As pessoas assistem por entretenimento. O mundo desmorona pouco a pouco.

Alguém se beneficia por o mundo estar uma merda. Muita gente pobre? Votos são dados feito balas ao rosto mais bonito da TV. Todo mundo deprimido? A indústria de cigarros se beneficia. Muito gente com câncer? Ótimo, vendemos remédios para curá-los e deixá-los bem e dispostos a trabalhar o suficiente para ser apenas pobre.

Muita gente morta?
Excelente! Os negócios vão melhorar! Se a gente enterrar todas as pessoas do mundo, imagina quanto dinheiro a gente vai ganhar por fornecer os caixões?

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