Até quando Cunha continuará dando as cartas?

O deputado que é tido como um cadáver político, pelas fortes evidências de corrupção, continua, ardilosamente, impondo à Câmara todos os seus quereres

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Mais uma vez a palavra final caberá a Eduardo Cunha.

Quem dará a última palavra sobre o processo de impeachment da presidente Dilma é quem dava "a palavra final" sobre as indicações para uma das áreas mais envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras.

É a segunda delação envolvendo o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e mesmo assim não foi criado, de fato, nenhum constrangimento à sua atuação. E olha que o ex-sócio do doleiro Alberto Youssef, Leonardo Meirelles, entregou à Procuradoria-Geral da República, já há algum tempo, as provas que comprovam o pagamento de propina ao parlamentar, de acordo com recente depoimento à CPI da Petrobras.

Réu em diversos processos, a conturbada trajetória de Cunha remonta aos tempos da antiga Telerj, a companhia telefônica do Rio, de onde foi exonerado depois de um escândalo de corrupção na estatal. Em 1999, virou presidente da Companhia Estadual de Habitação. Seis meses depois foi afastado em meio a outro escândalo de corrupção.

Denúncias como falsificação de documentos, manipulação de licitações e achacador não o inibem de continuar como presidente da Câmara. Raros são os parlamentares que o desaprovam publicamente.

Mas Eduardo Cunha permanece incólume. O deputado que é tido como um cadáver político, pelas fortes evidências de corrupção, continua, ardilosamente, impondo à Câmara todos os seus quereres, a despeito de tudo e todos, inclusive desafiando resoluções tomadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Com a ajuda de seu parceiro Gilmar Mendes, o juiz que faz política, tenta desfazer o que já foi decidido pelo STF e que tem ampla aprovação dos brasileiros: o fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais.

Também contrariando o Supremo, trabalha para reconhecer como família apenas um núcleo composto pela união entre um homem e uma mulher.

O Marco Civil da Internet, que garante os direitos na rede mundial de computadores, aprovado em 2014 depois de intensa participação da sociedade civil, e que teve Cunha como ferrenho opositor, corre sérios riscos de ser modificado na Câmara por um projeto de lei.

Seria o coroamento do monopólio da informação pela grande imprensa, já que o contraponto feito pelos sites progressistas e blogueiros estaria ameaçado.

E pela rápida mudança ocorrida nos órgãos de comunicação pública da Câmara dá para perceber o quanto Cunha é afeito à censura. Os deputados que estão na linha de frente das críticas à sua permanência como presidente da Casa estão cortados da programação da TV pública, além do veto à transmissão da sessão solene em comemoração aos dez anos do PSOL, partido que é frontalmente contrário às ideias do parlamentar.

Na "Casa do Povo", onde são tomadas tantas medidas decisivas para o país, o povo não parece bem-vindo. Na votação do PL da terceirização, por exemplo, Cunha impediu que as galerias fossem ocupadas. A impressão é que agora a Casa é sua. De antemão, vai logo comunicando o que passa e o que não passa.

Apesar da imensa cara de pau em negar e ridicularizar todas as acusações, sua imagem tá pra lá de queimada. Por onde passa é retumbantemente vaiado. Esperto e matreiro como é, disse que os xingamentos que recebeu no Rock in Rio foram coisa de "petistazinhos", tentando assim restringir seus opositores a um grupo já bastante estereotipado.

Aquele que está envolto até a alma em corrupção pode dar início, a qualquer momento, ao processo de deposição de uma presidente que nunca teve seu nome ligado a falcatruas.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247