Até quando o racismo irá matar?

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Moise Mugenyi Kabagambe (Foto: Reprodução)


Uma menina, uma mulher, um ser humano: exposta, vituperada e libidinosamente dilacerada pela escravização, pela espoliação, pela “loucura” da superioridade racial. Sarah Baartmann, uma princesa africana, que recebeu os grilhões do circo, em sua face mais negativa: expor seres humanos de forma cruel e equivocada; os chamando de  bizarros.

Moise, um africano do Congo, um jovem trabalhador: vítima de espancamento até a morte, no reduto fecundo de uma elite burguesa do atraso, do descaso, da empáfia, da galhardia dos novos “Neros” da Barra da Tijuca. BARRA, paraíso da luxúria e da voluptuosa arrogância dos “pitboys” de areia que nada fazem além de sentenciar pessoas à morte: indireta ou diretamente. 

O que separa Moise e Sarah?  Dois séculos de interregno entre suas mortes. Ele feneceu no Brasil no ano de 2022; e ela em 1815, na França; ela tinha 26 anos e ele tinha 24. “ O cérebro, esqueleto e órgãos sexuais de Sarah continuaram sendo exibidos em um museu de Paris até 1974. Seus restos mortais só retornaram à África em 2002, após a França concordar com um pedido feito por Nelson Mandela.

A doutora Ângela Kimbangu  (advogada) disse muito bem  no programa “Um Tom de resistência” do 247 : “Eu sou resistência”.

E realmente chamar alguém de guerreiro é pouco, pois pode sugerir (apenas) belicosidade; e lutar contra o racismo estrutural é para os RESISTENTES. A violência vem advogando uma causa inadmissível: A DISCRIMINAÇÃO; por isso precisamos extirpá-la dos anais da História brasileira. 

É também um pressuposto que o colonialismo e, o imperialismo, estão envolvidos nesta desdita; enquanto fenômenos de dominação política, econômica, social e cultural, não se fizeram manifestar da mesma forma sobre todas as sociedades dominadas ou dependentes. No Brasil, por exemplo, interessa destacar um aspecto do colonialismo cultural em relação a outros casos de dominação: nossa identidade “brasileira” não advém de uma suposta recuperação de um momento pré-colonial, como acontece com sociedades da África e da Ásia, por exemplo, mas de um processo que se inicia com a colonização ela mesma, enquanto descontinuidade da sociedade portuguesa que a realizou. As consequências dessa circunstância são relevantes para a discussão da possibilidade de uma produção intelectual independente em nosso país, em especial de uma produção antropológica, definida aqui como conhecimento permanentemente crítico das categorias, moldes e teorias em que se investe. A antropologia também necessita vestir a camisa do antirracismo e dar o seu melhor brado contra os membros da Ku Klux Klan nacional (que no Brasil) vem eliminando gente. Até quando o racismo irá matar “Saras”, “Moises” e   sonhos?

#ValReiterjornalismohistórico

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