Até quando os militares vão engolir Olavo de Carvalho pela fosseta lacrimal?

O astrólogo Olavo de Carvalho, mesmo a distância, vai promovendo o seu "faroeste filosófico", disparando contra qualquer um que cruze o seu mapa astral e deixando claro que não protege General de dez estrelas, que fica atrás da porta, com a patente na mão

Até quando os militares vão engolir Olavo de Carvalho pela fosseta lacrimal?
Até quando os militares vão engolir Olavo de Carvalho pela fosseta lacrimal?

Lembro-me que quando prestei o serviço militar obrigatório, uma das cantigas entoadas durante os acampamentos, quando éramos colocados à beira de um lago, em plena madrugada de inverno, dizia assim: "Sapo Cururu na beira do rio, quando o sapo canta maninha, é que tá com frio" A cantiga faz parte do nosso folclore, e assim como outras, igualmente lúdicas, fazia parte do repertório de militar na minha época, as vezes, com algumas modificações.

Como, por exemplo, "Mulher rendeira", que alguns atribuem a autoria da composição à Lampião, o rei do cangaço, mas que está registrada oficialmente em nome de Zé do Norte, compositor paraibano. "Olê mulher rendeira! Olê mulher rendá! Tu me ensina a fazer renda, que eu te ensino a guerrear. A noite é minha amiga, a lua é minha companheira. Nesse solo que tu pisas, eu patrulhei a noite inteira", dizia a letra parafraseada pela caserna e que nós como soldados, cantávamos com muita empolgação. Mas, vamos falar de sapos.

Olavo de Carvalho, um sapo cururu e caquético, com complexo de superioridade e mania de filosofia, que vive fora do país há anos, tem se apresentado como um anfíbio bem indigesto para os militares do país. A falta de decoro e de respeito, com as quais o astrólogo pitador de cachimbo vem se dirigindo aos oficiais das forças armadas, vem causando surpresa e até indignação, nos opositores do atual governo.

Depois de chamar o General Santos Cruz de "bosta", o guru do presidente mergulhou tão fundo no poço da própria estupidez, que conseguiu ultrapassar a fronteira da sua quase ilimitada capacidade de ser patético. Ao rebater uma crítica, que fora-lhe feita pelo General Eduardo Villas Boas, Olavo de Carvalho referiu-se ao ex comandante do Exército como: "um doente preso a uma cadeira de rodas", numa insana ironia à condição de saúde do General. Que em função de uma doença degenerativa, muitas vezes precisa do auxílio de um cateter nas narinas, para respirar melhor. Uma ode a baixeza e a ausência total de compaixão.

O que deveria ser considerado abominável, por qualquer um que possua o mínimo de empatia para com o próximo, encontrou relativização nas palavras do presidente Jair Bolsonaro. Para não confrontar o seu mentor ideológico, ele tentou passar um pano na sujeira espalhada por Olavo de Carvalho, dizendo que "Olavo é dono do seu nariz. Como eu sou do meu . Então, liberdade de expressão" Vista grossa pouca é bobagem.

Para piorar, Bolsonaro disse que recebe críticas todos os dias e que nem por isso reclama. E ainda complementou dizendo que: "Inclusive, o pessoal fala muito em engolir sapo. Eu engulo sapo pela fosseta lacrimal, e estou quieto aqui, ok?" Se Bolsonaro tem fosseta lacrimal, eu não sei. Uma vez que tal órgão sensorial, é exclusividade das serpentes. O certo, é que o seu governo é um ninho de cobras criadas. E ele, como mal adestrador das espécies que o rodeiam, pode acabar sendo picado por uma delas.

Ao tripudiar da doença degenerativa que acometeu o General Villas Boas, que apesar das dificuldades de locomoção, sempre manteve-se firme no cumprimento de seu dever com ainstituição a qual prometeu honrar e defender, Olavo de Carvalho degenerou a sua própria existência. Como bom conservador, deveria ter aprendido com os mais velhos, que não se deve rir ou fazer piadas com a limitação dos outros. Muito menos, de um aliado. Ou eles não estão do mesmo lado, apoiando ao mesmo governo?

Ao General Villas Boas, deixo os meus sinceros respeitos, apesar das diferenças ideológicas e o convido a refletir sobre o seu posicionamento, quando usou o seu Twitter para pressionar o STF a rejeitar o habeas corpus do presidente Lula. Como bem lembrou a colega de Brasil 247, Luciana Oliveira, em seu blog. Veja aqui.

Enquanto ninguém o detém, o astrólogo Olavo de Carvalho, mesmo a distância, vai promovendo o seu "faroeste filosófico", disparando contra qualquer um que cruze o seu mapa astral e deixando claro que não protege General de dez estrelas, que fica atrás da porta, com a patente na mão. Esquecendo-se, talvez, de que se eles decidirem meter o pé na porta, até a casa do filósofo, lá na Virgínia, vai cair.

Haja fosseta lacrimal para engolir tanto sapo.

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