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Nêggo Tom

Cantor e compositor.

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Até que outro golpe os separe

O aumento de até 41% para os servidores do judiciário é um bom exemplo de relação extraconjugal do governo intruso. Os ministros do STF terão 16,38% de aumento, o que fará com que os seus salários passem de R$ 33.763,00 para R$ 39.293,38. É o projeto "fome zero" para o Judiciário

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Brasília- DF 23-05-2016 Presidente interino, Michel Temer, durante entrega da meta fiscal 2016 ao presidente do senado Renan Calheiros. Foto Lula Marques/Agência PT (Foto: Nêggo Tom)
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O governo intruso de Michel Temer é como aquele marido perfeito, que algumas mães, geralmente as mais reacionárias, sempre sonharam para casar com a sua filha querida. Rico, de sobrenome imponente, de boa formação e aparência, que chega ao portão da casa dela a bordo de um carrão importado, trazendo bombons e flores, beijando-lhe as mãos e prometendo cuidar de sua filha, e dela também (por que não?), com todo amor e carinho, até que a morte os separe. Tudo aparentemente perfeito e promissor.

O problema é que após o casamento, o que antes era um príncipe encantado se revela um vampiro, assustador e sanguinário. Na verdade ele nunca foi príncipe, apenas escondia a sua verdadeira identidade. Na verdade, elas, mãe e filha, sempre souberam que ele era um vampiro, mas lhes era conveniente acreditar que ele era um príncipe, para assim se beneficiar do que ele lhes podia oferecer naquele momento. Ainda que o casamento esteja indo de mal a pior, mil desculpas serão inventadas para não admitirem, ou que erraram feio na escolha, ou que já sabiam do caráter duvidoso do indiv& iacute;duo.

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O golpe político aplicado a presidente Dilma Rousseff, se apresenta como um casamento movido a interesses escusos e sem nenhum amor entre os conjugues. O objetivo do enlace era apenas tomar o poder das mãos de quem não lhes agradava. A porção da sociedade que apadrinhou esse casamento deveria, por honra, pedir a sua anulação. O príncipe encantado é bígamo político, sempre teve vida dupla e não é digno de confiança. Adepto a traições, ele não terá nenhum pudor em apunhalar o país inteiro, principalmente os menos favorecido s, para satisfazer aos seus interesses pessoais e aos interesses de seus parceiros fora do casamento.

As traições já começaram, e eles ainda deveriam estar em lua de mel. Ministros investigados, indiciados e envolvidos em corrupção, foram nomeados e já foram demitidos. Medidas que atingem e prejudicam diretamente as chamadas minorias, estão sendo tomadas, enquanto outras decisões que favorecem aos apoiadores do golpe são aprovadas com urgência. O aumento de até 41% para os servidores do judiciário é um bom exemplo de relação extraconjugal do governo intruso. Os ministros do STF terão 16,38% de aumento, o que fará com que os seus salários passem de R$ 33.763,00 para R$ 39.293,38. É o projeto "fome zero" para o judiciário.

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Todos os reajustes aprovados na câmara, diga-se passagem, em regime de urgência, irão gerar aos cofres públicos um impacto de quase 60 bilhões de reais em quatro anos. Para um governo de "salvação nacional" que já previu um rombo de 170 bilhões nas contas públicas, até o final deste ano, é no mínimo um contrassenso. Mas tenho certeza de que o intruso e sua tropa irão se redimir desse ato falho, quando estiver em pauta o aumento do salário mínimo, revisão de aposentadorias, direitos trabalhistas, políticas de inclus&ati lde;o social e qualquer outra matéria de interesse dos mais pobres e verdadeiros trabalhadores. Nesse momento eles exigirão austeridade para não comprometer o orçamento.

Sem mais delongas, o que precisamos é reagir. Não necessariamente com balas de canhão e muito menos entoando o hino nacional. Nenhuma das duas formas de protesto irá surtir o efeito que desejamos e precisamos obter. Deixemos as manifestações pacíficas para os monges tibetanos. Ninguém vai mudar nada, em lugar algum, repetindo mantras e tampouco cuspindo na cara de seu opositor. A voz das ruas precisa ter uma extensão bem maior, tem que subir o tom quando preciso for e aderir ao uníssono. Assim como os golpistas se uniram, ignorando as diferenças entre eles, nós, o povo, que somos as principais vítimas dos usurpadores do poder, precisamos nos unir e mostrar a nossa indignação e revolta contra esse casamento de fachada.

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Se os apoiadores do golpe não batem mais as suas panelas e não tiram mais do guarda-roupa as camisas da CBF imortalizadas nas manifestações dos "coxinhas" contra a corrupção, é porque devem estar satisfeitos com o governo intruso que se apresenta e principalmente com a corrupção presente nele. Prova de que a honestidade não é uma virtude da qual eles façam muita questão, desde que o sujeito não seja petista ou de esquerda. Eles admitem torturadores, falsos profetas, coronéis que impõem trabalho escravo em suas fazendas, donos de h elicópteros que carregam substâncias suspeitas, desviadores de verbas públicas e toda a sorte de gente sem nenhuma moral para moralizar o país. Tudo em nome da tradição, da família, dos cidadãos de bem e do blá blá blá que não convence mais nem a eles mesmos.

A ideia de que a operação "Lava Jato" veio para expurgar todos os pecados e punir todos os pecadores, vai acabar entronizando no Brasil, o que há de mais vil e podre entre o seres pensantes desse país. áudios vazados, ministros vazando e o roteiro que concebeu o golpe cada vez mais vazante. Brasília virou uma cidade cenográfica, que abriga os atores mais canastrões da dramaturgia política nacional. Um elenco jamais reunido na história desse país, onde protagonistas e coadjuvantes ganham o mesmo destaque, numa das tramas mais sórdidas já produzidas por essa república. O desfecho desse folhetim da vida real, assim como em toda novela, ainda não sabemos qual vai ser, mas as cenas dos próximos capítulos prometem decepcionar o espectador, que sempre espera por um final feliz, seja na novela, seja no casamento.

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Ou o povo brasileiro, que não apoiou esse golpe, se rebela com vontade contra esses canalhas e contra essa farsa do impeachment, ou terá que assistir na próxima cerimônia de posse presidencial, a bandeira nacional ser hasteada no pau de arara e ao som do hino do 3º Reich. Portanto, se você tem algo a dizer contra esse casamento, digo, contra esse golpe, diga agora, ou cale-se para sempre.

Viva os noivos! Até que outro golpe os separe.

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