Atentado, perguntas sem respostas

A demora no esclarecimento dos fatos sobre o atentado contra Jair Bolsonaro, somada a veiculação de informações pontuais pela imprensa, provoca uma série de questionamentos. O primeiro deles é qual é o critério, ou interesse, em separar o processo de investigação em duas partes? 

Atentado, perguntas sem respostas
Atentado, perguntas sem respostas

A investigação sobre o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro tem gerado mais desconfianças do que esclarecimentos junto à população. Duas semanas após o ocorrido, a única informação prestada pelas autoridades é a de que a investigação foi desdobrada em duas partes. Uma delas, seria a primeira fase, a do atentado em si, outra, posterior, que investigará a existência ou não de mandantes.

O fato concreto é que a demora no esclarecimento dos fatos, somada a veiculação de informações pontuais pela imprensa, provoca uma série de questionamentos. O primeiro deles é qual é o critério, ou interesse, em separar o processo de investigação em duas partes? Diante da tensão política reinante, não seria aconselhável dar celeridade ao conjunto da investigação?

Qual a explicação para a existência de registros de entrada de Adélio nas dependências da Câmara dos Deputados no dia do atentado – 6 de setembro – divulgada apenas hoje, pela imprensa? Por que a Câmara dos Deputados havia informado anteriormente sua presença na instituição apenas em 2013? Qual a origem do registro, quando foi realizado no sistema da Casa, com documentos de identidade? O que o presidente da Câmara dos Deputados tem a dizer sobre isso?

Também, por que o chefe da segurança da equipe da Polícia Federal não se encontrava no dia do atentado, em Juiz de Fora, comandando a proteção ao candidato? Por que os policiais não usavam rádio, que consideram mais adequado, para coordenar as ações de segurança? E, ainda, por que o ausente chefe da segurança da PF foi afastado, sem maiores explicações?

É fato que a arma foi encontrada embaixo da barraca de um comerciante, por indicação de um popular em meio à multidão à PM? Como o esfaqueador teria “chutado” a arma para a tal barraca, se foi usada em meio aos manifestantes, e ele foi preso pela PF na hora? É procedente a informação divulgada pela mídia de que a faca encontrada estava “ensaguentada”?.

O que explica o autor do atentado, sem ou com poucos recursos, ter a posse de um cartão de crédito internacional do banco Itaú? Qual a explicação do banco Itaú para a situação, considerando que cartões internacionais não são de uso comum? A informação de que Adélio tinha, ou tem, um passaporte procede? Ele o utilizou alguma vez?

O esclarecimento dos fatos é fundamental para que não paire qualquer dúvida sobre a autoria e a intenção do atentado. Autoridades militares já insinuaram que a repercussão do atentado poderia levar candidatos a questionar o resultado eleitoral. Assim, qualquer tentativa de postergação, manipulação de fatos ou exploração midiática apenas agravará a desconfiança da sociedade.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247