Austera brandura republicana ou ousadia cidadã?

Cid Gomes, apesar de arriscar a própria vida, e de quase pôr em risco a vida de outras pessoas que estiveram ao seu lado, deu o troco necessário à altura

Cid Gomes
Cid Gomes (Foto: Reprodução)
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Cid Gomes ao enfrentar a insurreição de bando de policiais no Ceará foi cidadão, e cidadão muito atento à escalada de autoritarismo no país. Dividiu o episódio envolvendo a polícia do Ceará com a mesma intensidade com que os amotinados milicianos escandalosamente agiram contra a população e contra o Estado.

Cid Gomes, apesar de arriscar a própria vida, e de quase pôr em risco a vida de outras pessoas que estiveram ao seu lado, deu o troco necessário à altura. Não havia como perder tempo e buscar a solução institucional, da qual todos os milicianos e fascistas estão a escarnecer folgadamente.

Se fosse tentado negociar com encapuzados (como, infelizmente parece estar acontecendo agora), mais do que já negociaram, eles ficariam mais ousados ainda e o autoproclamado "jornalismo profissional" de direita poderia ou pode simplesmente monopolizar o acontecimento e adaptar uma narrativa para condenar o governador do Ceará  ou relativizar a não estranha semelhança entre milicianos e insurrecionados.

Se fossem policiais bem intencionados fariam uma paralisação ordeira e pacífica.
Se fossem portadores de queixas tão justas e altruístas como quer defender o capitão Wagner do Pros (candidato nas próximas eleições no Ceará), não usariam máscaras. 

(Se estes policiais fossem amotinados contra uma ditadura qualquer teriam sido fuzilados, mas são eles que estão promovendo o regime de exceção.)

Infelizmente, Cid Gomes, aparentemente apoiado apenas por populares, fez acontecer sozinho sabendo usar na hora certa seus atributos políticos e sua experiência, Infelizmente, porque com ele poderiam estar presentes outras autoridades e personalidades influentes, civis ou de Estado.

Cid Gomes, cidadão de Sobral, figura não desprezível no cenário político brasileiro, fez de um acontecimento atroz e desprezível (recheado de crimes) uma tribuna em defesa, aí está o detalhe, defesa intransigente, necessária, da legalidade republicana, em nome da democracia constitucional, sendo que algumas pessoas já se adiantaram em julgar e condenar a sua atitude. Aliás, Cid Gomes demonstrou que é possível e necessário assumir atitudes mais intensas  e efetivas quando se trata de lidar com a insanidade política da triste era Bolsonaro, como costuma dizer o jornalista Joaquim de Carvalho do DCM.  Este não terá sido um marco no enfrentamento da Praga ideológica e política Bolsonarista??  De qualquer forma, este é um episódio que já está na história, e se Cid Gomes for nomeado apenas como um machão, então será porque todos os que acreditam nisso, são de fato, republicanos extremamente austeros.

Então, em nome de uma crítica realista, diremos apenas que Cid Gomes foi irresponsável? Mas o único ferido de verdade foi ele (que façam escândalo sobre o adolescente espancado por  4 policiais acionados pela diretora da escola ), e ele não se manifestou como um inimigo, mas como um oponente feroz, tal qual temos de ser nestas horas em que  as regras são definitivamente quebradas  depois de tão corrompidas. Cid foi tempestuoso, destemperado, inoportuno, inconsequente, imprudente, precipitado? Mas diante de situação tão gravemente criminosa haveriam de fazer tudo tão limpo e burocraticamente eficiente como fazem os alemães? Ou, o excesso de cautela se confunde com o excesso de republicanismo, inócuo? 

O fato é, abriu-se uma importante precedência (nem mais nem menos importante do que fizeram, por exemplo, os estudantes de escolas públicas em São Paulo também enfrentado a Polícia em 2015) para que as pessoas entendam, percebam, que contra este fascismo, contra esta barbárie inoculada diariamente com a grande participação da autoproclamada mídia profissional (aliás, existem assassinos profissionais também, e a questão é, quem faz jornalismo e quem assassina o jornalismo)  não basta resistir, é preciso enfrentar com a dose necessária de ousadia  aquilo que é violência, aquilo que é indignidade, aquilo que é crime. Algo neste sentido poderia estar acontecendo agora em apoio à greve dos petroleiros, apoio massivo de entidades, autoridades e  pessoas influentes convocando para eventos de manifestação pública, fazendo da greve dos petroleiros o centro e o começo de um levante popular conscientemente consequente.

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