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Marcio Pochmann

Marcio Pochmann é economista. É Professor do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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Austeridade e descompromisso com os empregos e a renda

A União Europeia cresceu 0% entre 2008 e 2014 adotando política de enorme austeridade. Sem retomada do crescimento econômico, o emprego e a renda não retornam

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A União Europeia cresceu 0% entre 2008 e 2014 adotando política de enorme austeridade. Sem retomada do crescimento econômico, o emprego e a renda não retornam (Foto: Marcio Pochmann)
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O regime econômico que se impôs a partir da crise de dimensão global iniciada em 2008 tem sido o de baixo dinamismo da produção e emprego da mão de obra. Em geral, os países não conseguem fazer com que suas economias voltem a crescer pelo menos o equivalente ao que ocorria nos anos 2000.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o nível de emprego global entre 2008 e 2014 foi reduzido em 61 milhões, fazendo com que o desemprego no mundo alcançasse 201 milhões de trabalhadores no ano passado. Isto é, 31 milhões de desempregados a mais do que o registrado em 2007.

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Mas a elevação do desemprego não resultou apenas da insuficiência na expansão da produção global para absorver a cada ano cerca de 37 milhões de pessoas que ingressam no mercado de trabalho. Deveu-se também ao conjunto das opções de política econômica adotadas pelos países.

Enquanto os Estados Unidos, por exemplo, cresceram acumuladamente 9% de 2008 a 2014, sustentados pela política monetária de juros baixos e emissão de dólares, a União Europeia cresceu 0% no mesmo período adotando política de enorme austeridade fiscal. Mesmo entre a União Europeia, o comportamento não foi igual entre os países.

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A Grécia, por exemplo, registrou em 2014 nível de atividade econômica 25% abaixo do que era em 2008, assim como a Itália teve Produto Interno Bruto (PIB) 8% menor, e Espanha e Portugal, 6% inferior, entre outros. O país com o melhor desempenho europeu foi a Polônia, que apresentou nível de atividade econômica 19% maior do que o verificado em 1998.

Diante disso, torna-se interessante ressaltar que a Polônia desde 2008 não realizou recessão econômica, tampouco adotou programa de austeridade comparável com seus vizinhos europeus. Exemplo disso pode ser observado na evolução do déficit público, que passou de 1,9% para 7,6% do PIB.

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Já o Reino Unido, com programa permanente de ajuste fiscal introduzido mais fortemente a partir de 2010, com a ascensão do Partido Conservador, derrubou o déficit público de 11% em 2010 para 5,7% do PIB em 2014. Para isso, reduziu o conjunto das despesas públicas em 6% do PIB, especialmente a educação e prestações sociais, bem como reformou a previdência social, elevando para 68 anos o limite mínimo de idade para o acesso à aposentadoria. Ao mesmo tempo foram suprimidos 743 mil empregos do setor público. O que equivaleu a uma redução de 15% do total do efetivo dos empregados do Estado.

Apesar de todo este esforço fiscal, o Reino Unido conseguiu fazer com que sua economia crescesse acumuladamente 4% entre 2008 e 2014. Ou seja, menos de um quinto da expansão econômica da Polônia.

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Frente a isso é que cabe indagar a respeito – austeridade para quê? –, uma vez que tem resultado descompromissadamente na ampliação do nível de desemprego e da renda. O emprego e a renda não retornam sem a retomada do crescimento econômico nacional.

Da Rede Brasil Atual

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