Bajulação indecente a granel

Segundo o jornalista Eric Nepomuceno, "há uma intensa – e tensa – disputa pelo título de Capacho-Mor do Genocida". "Enquanto disputam, exibem generosos punhados do seu grau de lealdade ao Genocida", afirma

(Foto: Marcos Corrêa/PR)
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Por Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia

Há uma intensa – e tensa – disputa pelo título de Capacho-Mor do Genocida. 

E é impressionante o afinco e a disposição de pelo menos dois competidores em mostrar-se merecedores do título. Enquanto disputam, exibem generosos punhados do seu grau de lealdade ao Genocida.

Kássio Nunes Marques surgiu de um nebuloso nada para uma cadeira da mais alta corte de justiça deste país destroçado e desgraçado. E, de saída, mostrou-se um atleta especialmente bem desenvolvido na arte da bajulação, atropelando não apenas regras elementares da Justiça como evitando qualquer vestígio de pudor na hora de votar.

Começou autorizando a reeleição do presidente do Senado, aliado de Jair Messias, mas não da Câmara, com quem o seu chefão estava brigado. Perdeu, é claro.

Depois, votou contra a anulação do escândalo disfarçado de processo levado a cabo por Sergio Moro, Deltan Dallagnol e sua quadrilha. Perdeu de novo – desta vez não só o voto, mas qualquer vestígio de respeito que ainda pudesse merecer. Foi um voto primário, vergonhoso, que motivou uma espinafração humilhante e arrasadora de seu colega de toga, Gilmar Mendes.

E agora, sempre confirmando que sua exclusiva qualificação para ocupar o cargo que ocupa é a bajulação olímpica, atropelou tudo – desde regras básicas de proteção sanitária em meio à tragédia incentivada pelo Genocida até entendimentos anteriores de seus colegas de toga, passando por normas e regulamentos – e liberou cultos religiosos.

Para ele, como para seu chefe e piloto, o fato de três mil pessoas morrerem a cada dia é fichinha. O importante é garantir o ganha pão – neste caso específico, não exatamente ganhar o pão, mas encher as burras dos charlatões que vivem de explorar, de maneira imunda, a fé alheia. Todos eles, claro, aliados do Genocida.

Convenhamos que enfrentar um rival de semelhante brilho e disposição para a luta exige, entre outros esforços, o de tentar, se não superá-lo de saída, ao menos buscar uma equiparação.

E assim foi aberto espaço para que se elogie, por uma questão mínima de justiça, a figura igualmente obscura de Augusto Aras, procurador-geral da República. Outro que saiu do anonimato graças a Jair Messias.

Para exibir seus próprios dotes de bajulador, ele resolveu pedir a Luiz Fux, presidente do Supremo, que a ação impetrada pelo PSD contra a decisão do governo de São Paulo de proibir cultos, missas e o que for, seja retirada das mãos de Gilmar Mendes e passada para as de Nunes Marques.

Baseado em quê? Ora, na necessidade premente de mostrar serviço ao chefão. Tamanha sabujice é de doer. Ou deveria ser: no caso de Aras, é parte do seu caráter. E do tamanho de sua subserviência.

Quarta-feira a questão vai ser debatida em plenário. E que Nunes Marques prepare o lombo: deve levar lambada de tudo que é lado.

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