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Ronaldo Lima Lins

Escritor e professor emérito da Faculdade de Letras da UFRJ

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Bananinha condenado: a impunidade acabou

Por demonstração de maturidade, nossos sistemas de defesa social deixaram de suportar esse tipo de gentalha

Eduardo Bolsonaro (Foto: Reprodução)
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Tradições representam fenômenos complexos. Há as que persistem, fornecendo inspiração para as artes e ajudando a definir identidades. Mas existem outras, vinculadas a interesses de elites do poder, com força para fraturar costumes e impor grupos de ambições questionáveis. Tradições semelhantes nos custaram uma sucessão de tentativas de golpes de estado, entre os quais a ditadura militar imposta em 1964. O hábito da impunidade, passando pelas campanhas contra Vargas, em 54, desdobrou-se no período juscelinista para desembocar no governo Jango. Todos os conspiradores, na ocasião, foram perdoados. Isso contribuiu para a perpetuação de traumas em nossa democracia.

Felizmente, a julgar por atuais decisões do STF, passamos a colocar extremistas na cadeia, a começar por Jair Bolsonaro. Este se julgava acima da Lei, repetindo atitudes que feriam as normas e arriscavam o equilíbrio constitucional. Contou com complacência no Exército, à época de sua carreira militar. Daí experimentou empreitadas sempre bem sucedidas, incluindo os elogios ao torturador Brilhante Ustra em plena sessão do Congresso. Os filhos, por formação ou imitação, não se comportam diferentemente. O mais arrogante, o Eduardo, entendendo-se protegido por amizades na Casa Branca, usou e abusou da liberdade de atacar, caluniar e coagir magistrados da justiça brasileira, a pretexto de defender o pai. Com tal projeto, obtinha lá fora medidas contra a soberania nacional. Um espião, um traidor, não faria melhor figura. Como parlamentar, contou com doses cavalares de tolerância antes de perder o mandato por faltas repetidas e injustificadas, já ao tempo em que se estabelecera no Texas. É como se a nossa paciência tivesse esgotado e fosse necessário um rotundo NÃO às estrepolias do garoto mimado. Agora, com pena de quatro anos e dois meses e suspensão de direitos políticos não poderá se candidatar. Conviverá com os comparsas refugiados sob a hospitalidade de Donald Trump. Alguns se destacam pela grosseria e pela estupidez gritante. Outros, como Paulo Figueiredo, se orgulham de vínculos familiares com o antigo e desmoralizado regime autoritário. De qualquer forma, viverá regiamente respaldado com recursos mal explicados. Lá, aqui não. Dormirá com a convicção de que vestiu a camisa de um fora da Lei, condenado pela nossa mais alta corte. O irmão Flávio, da mesma tradição, por coincidência, pena para defender uma candidatura à presidência da República quase completamente naufragada. 

Eles dirão que houve manipulação nas medidas acertadas. Gritarão que caímos no gosto pela perseguição política. Mas não adiantará. Trata-se do conhecido direito ao jus sperneandi, um comportamento de quem perdeu as causas em disputas e chora pelo leite derramado. Por demonstração de maturidade, nossos sistemas de defesa social deixaram de suportar esse tipo de gentalha.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.