Bancada Evangélica - a esquadrilha da cortina de fumaça

Que tipo de valores morais e éticos essa gente tem para oferecer à nossa sociedade? Por que essa turma acha mais importante discutir a forma de prazer sexual dos outros do que criar projetos que promovam igualdade e justiça social?

Que tipo de valores morais e éticos essa gente tem para oferecer à nossa sociedade? Por que essa turma acha mais importante discutir a forma de prazer sexual dos outros do que criar projetos que promovam igualdade e justiça social?
Que tipo de valores morais e éticos essa gente tem para oferecer à nossa sociedade? Por que essa turma acha mais importante discutir a forma de prazer sexual dos outros do que criar projetos que promovam igualdade e justiça social? (Foto: Nêggo Tom)
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Promover um debate acerca de alguns assuntos ainda é considerado um tabu em nossa sociedade. A famosa frase: "Futebol, religião e política não se discute" costuma servir de ponto final em qualquer discussão, na qual os temas sejam abordados e não se encontre um denominador comum na análise dos mesmos. Futebol, como já dizia o poeta, é a coisa mais importante entre as menos importantes a serem discutidas. Já religião e política merecem, e hoje mais do que nunca, precisam ser discutidas no Brasil.

Todo projeto de poder é constituído sobre uma ideologia, tendo por base a visão pessoal, política e social de um indivíduo ou de determinado grupo, é alicerçado em princípios morais e éticos - sejam eles distorcidos ou até mesmo ausentes - avança em função de acordos e alianças estabelecidos entre seus criadores, apoiadores, simpatizantes e também por oportunistas da causa e tem por objetivo obter o controle e o comando de toda uma situação. Se este projeto de poder estiver alinhado com os interesses da coletividade, visando o bem estar e garantindo a liberdade e a igualdade de direitos para todos, tudo bem. Mas e se a intenção não for essa?

Ao longo da história da humanidade, nos deparamos com alguns projetos de poder, que foram extremamente nocivos a mesma. Talvez o de Hitler tenha sido um dos mais emblemáticos. A ideologia do Fuhrer nazista, cerceou liberdades, negou direitos e vitimou fatalmente milhares de vidas. Tudo isso sob os olhares de um mundo omisso, anestesiado, covarde e que nunca fez questão de discutir assuntos realmente importantes, confrontando as ideias reacionárias daqueles, cuja ambição desmedida e o desejo de ter o poder nas mãos, sempre provocam danos irreversíveis a existência humana.

Hoje estamos diante de um projeto de poder, que usa a Bíblia como plataforma de governo, para ocupar vagas nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas e no congresso nacional. É a famosa e não muito menos perigosa do que a ideologia hitlerista, Bancada Evangélica. Sob a égide da defesa da família, da moral, dos bons costumes e marchando contra o comunismo, a esquerda e a tudo que se oponha aos valores cristãos, eles estão cada vez mais presentes na política nacional. Quando me vem a mente alguns nomes que representam tal bancada, tenho a impressão de que erraram na denominação da mesma. Talvez o título mais apropriado fosse: Bancada Diabólica.

É comum os representantes desse grupo ocuparem as tribunas para orar, ministrar cultos, falar da sexualidade alheia e desviar o foco de assuntos que possuem mais relevância, para a defesa de temas que fortalecem apenas as suas bases e agrade ao seu secto de fiéis religiosos. Na ausência de um programa de governo que atenda aos anseios e as necessidades da população - incluindo os seus próprios eleitores - eles apresentam uma pauta, ora digna de um programa de fofoca, outra digna de uma escola dominical. Trabalhar para o povo - função para a qual foram eleitos, e ganham muito bem para isso - nada.

Religião e política precisam ser desassociadas. Ovelhas incautas e submissas estão colaborando de forma útil e inocente, para que o projeto de poder de gente muito mal intencionada, tenha êxito. Infelizmente, muitas pessoas acreditam que qualquer um que fale de Deus, o carrega dentro do coração. Ledo engano. Deus se tornou um patrocinador involuntário de campanhas políticas, protagonizadas por oportunistas e charlatões de toda espécie e estirpe. Gente que sabe a hora certa para falar, inteligentemente e em nome de Deus, aquilo que o povo quer ouvir, e para agir exatamente, também em nome dele, da maneira que julgar mais conveniente e favorável ao seu projeto de poder. Mas Deus está vendo! E ao contrário da maioria, não se deixa enganar.

Enquanto chamam a sua atenção para a Ideologia de gênero, para a "cura gay", para o "perigoso" sucesso do Pablo Vittar, para o novo comercial de O Boticário e para as exposições com nus artísticos (alguns simplesmente pornográficos mesmo)nos museus, o governo golpista e usurpador - o qual 99% da tal bancada apoia - vai retirando direitos do povo e reeditando a escravidão da forma mais natural possível. Eu não sou favorável a ideologia de gênero, assim como acho esse história de "cura gay" uma idiotice. Também não curto a música do Pablo Vittar, mas respeito o artista e o seu público. Vamos pensar um pouco. O que são esses temas perto da política sórdida que vem sendo implementada por Michel Temer e seus comparsas?

Já vi representantes da tal bancada publicarem vídeos com discursos inflamados para demonizarem artistas. Já chamaram a cantora Anitta de vagabunda, o Caetano de pedófilo, o Pablo Vittar de mau exemplo para as crianças e atribuírem à esquerda todo o mal que graça antes e após o meio-dia. Mas o que isso tem a ver com a função para a qual eles foram eleitos? Como anda a saúde e a educação no país? Como anda a segurança pública nos estados e municípios que elegeram esses senhores como seus representantes? Se eles se preocupam tanto com o futuro de nossas crianças, por que ainda temos milhares delas vivendo nas ruas, sem o mínimo de dignidade humana? Por que eles apoiam a uma direita reacionária, corrupta e escravagista?

Que tipo de valores morais e éticos essa gente tem para oferecer à nossa sociedade? Por que essa turma acha mais importante discutir a forma de prazer sexual dos outros do que criar projetos que promovam igualdade e justiça social? Por que essa gente acha mais importante fazer proselitismo religioso do que investir em educação e tentar livrar da falência a saúde pública, que mata milhares de pessoas por falta de atendimento? Por que essa gente acha mais importante promover boicote a empresas que promovem a diversidade do que investir em geração de empregos para a população, principalmente para transgêneros, que por serem discriminados no mercado de trabalho, se veem obrigados a se prostituirem?

A resposta é muito simples. Tudo não passa de uma cortina de fumaça. A maioria desses distintos senhores fazem de seus cargos públicos uma extensão de suas funções religiosas, a serviço do sistema. Sistema esse que não lhes cobra impostos em seus templos, mas que usa alguns para lavar dinheiro sujo. Uma troca justa. A mistura é tão homogênea que fica difícil distinguir o líder religioso, do político e o sistema, da Igreja. Os interesses individuais dos representantes dessa bancada, podem ser os mais diversos, mas o projeto de poder é único.

Transformar o Brasil numa espécie de estado "evangélico" de direito, é a missão e a ambição. Com a benção e parceria de um sistema, que quando não está dominando os cidadãos através de um regime político, os domina através de um segmento religioso, recrutando falsos líderes que se disponham a ser cúmplices da injustiça, usando o nome de Deus e a conduzir as ovelhas ao matadouro, sem que elas percebam para onde estão sendo levadas. Líderes que em seus discursos, promovem o ódio, a intolerância religiosa, relativizam a opressão, apoiam ladrões e corruptos da direita e enriquecem as custas de um povo sofrido. Sem querer ou querendo, venderam a alma ao diabo e a alugaram, por temporada, a um "deus" que eles criaram para si mesmos, com o intuito de enganar e de tentar convencer aos desavisados, de que é o único e de que ele está ao lado deles. Deus, o verdadeiro, só observa.

Orai, vigiai e não votai nesse lobos em pele de cordeiro.

Amém?

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