Barroso neutraliaza Barbosa com estilo "zen"

O "novato" ainda continuou, em tom quase professoral: "discutir o argumento e não a pessoa - é assim que se age civilizadamente!"

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(originalmente publicado no blog de Christina Lemos)

José Roberto Barroso, o ministro "novato", como se brinca nos bastidores do STF, encontrou uma fórmula para conter a ira e o discurso agressivo do colega Joaquim Barbosa. Às intervenções duras e provocativas do presidente do Tribunal, Barroso repete, como um mantra: "respeito a opinião de Vossa Excelência, senhor presidente!" - e segue declarando o próprio voto, sem se alterar.

A estratégia é diferente da dos colegas, que frequentemente entram em desgastantes bate-bocas com Barbosa, em confrontos que costumam culminar com troca de ofensas públicas. Foi assim em diversos embates com Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Lewandowski e Toffoli - este último, chamado de "hipócrita" por Barbosa, nesta quarta.

Barroso, no entanto, não deixa de dizer o que realmente pensa, embora sem se alterar ou partir para o xingamento: "O esforço para depreciar quem pensa diferente é um déficit civilizatório" - declarou, em discussão acalorada com Barbosa, que momentos antes havia interrompido seu voto para acusá-lo de colaborar com a "leniência" que permite que crimes de corrupção fiquem impunes.

O "novato" ainda continuou, em tom quase professoral: "discutir o argumento e não a pessoa - é assim que se age civilizadamente!". Barbosa reagiu com indignação, acusando Barroso de proferir "um voto político": "O voto de Vossa Excelência rebate o acórdão! Isso é manipulação!" Ainda assim, Barroso não se descontrolou.

O ministro atendeu ao pedido dos jornalistas de televisão e ao término da sessão deu longa entrevista gravada, na qual sistematicamente se esquivou de perguntas sobre os embates com Barbosa. "Ao contrário de outros países, na nossa corte suprema os debates são públicos - o que mostra transparência absoluta".

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