Barroso, platitudes e plataforma eleitoral

Apelo ao diálogo soou como frouxidão

LuÍs Roberto Barroso
LuÍs Roberto Barroso (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


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É quase impossível discordar de um discurso de Luís Roberto Barroso, pois o pluralismo que apregoa como virtude republicana máxima só desagrada a trogloditas. Sua palestra nesta segunda-feira (27), na abertura da Conferência Nacional da OAB, em Belo Horizonte, foi uma mistura de voluntarismo com pieguice, sem potencial de incomodar alguém além de bolsonaristas, e só os piores. E isso num momento em que STF, Congresso e Executivo encontram-se numa espécie de sinuca institucional. Gilmar Mendes teria sido mais ousado.

Seu apelo ao diálogo soou como frouxidão. “A vida é plural. Ninguém tem o monopólio da verdade e do bem. Eu ouço todo mundo e trabalho para a pacificação do país”, embromou o presidente do Supremo. E arrematou: “Quem pensa diferente de mim não é meu inimigo, mas meu parceiro na construção de uma sociedade democrática”.

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Singelo e puro demais para quem tem que lidar com o Senado e a Câmara. Pode ser que nos bastidores Barroso seja diferente. A ver.

Porém, o que mais intrigou na fala de Barroso aos milhares de advogados que lotavam o Expominas foi sua “agenda de consenso”. Trata-se de um esboço de plataforma eleitoral, algo normal em discursos de pré-candidatos a alguma coisa. Não fica bem ao presidente Supremo Tribunal Federal deixar transparecer anseios eleitorais enquanto lhe couber a única missão de resguardar a Constituição

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Além do mais, a tal “agenda de consenso” de Luís Roberto Barroso enumera prioridades das quais ninguém no mundo civilizado discorda: erradicar a pobreza, retomar o crescimento econômico, priorizar a educação básica, investir em ciência e tecnologia, criar um projeto nacional de segurança pública, cuidar do saneamento básico, retomar nosso protagonismo ambiental.

Em tempo: Barroso também defendeu aquilo que chamou de “imprensa tradicional” - sabe-se que imprensa é essa - contra “as narrativas que cada um inventa”, como se a “imprensa tradicional”, reduzida a duas ou três corporações, não criasse suas narrativas dia sim, outro também.

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