BASTA!

Até quando seremos espectadores passivos de nossa destruição?

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(Foto: Reprodução)


Se a Alemanha teve sua Noite dos Cristais, não ficamos atrás. Temos o Dia dos Cristais. O dia 25 de maio de 2022 deve entrar para nossa história com esse nome. Nessa data, agentes do estado brasileiro violentaram a nação com o uso de uma câmara de gás contra um cidadão brasileiro. Todas as barreiras de humanidade e civilidade foram rompidas.

Genivaldo Santos, negro, trabalhador, sem passagem pela polícia, foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal por andar, como Bolsonaro, de moto sem capacete.

Depois de terem lançado gás de pimenta em seus olhos, foi jogado ao chão, teve mãos e pernas algemadas e foi colocado no bagageiro da viatura policial. Ali foi jogada grande quantidade de gás de pimenta e gás lacrimogêneo. Assim, por asfixia, teve fim a vida de Genivaldo..

O Procurador Geral da República Augusto Aras enviou para Umbaúba, Sergipe, local onde se deu o crime, um punhado de procuradores, cujas diárias serão pagas pelo povo, inclusive a família daquele que morreu vítima de tortura seguida de morte. 

Essa força tarefa, enviada para dar suporte aos nossos carcereiros de Auschwitz, não demorou a impor sigilo às investigações. Esse crime hediondo, imprescritível, inafiançável, que atinge a cadeia de comando, se dará fora da vista da sociedade e com seus autores livres, leves e soltos.

Na véspera desta execução, 25 outras foram contabilizadas na comunidade de Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro. A simples alegação de que alguns eram criminosos em nada justifica o que ocorreu. Não só não foram indiciados, julgados e condenados, como, é bom lembrar, por aqui ainda não há, ao menos oficialmente, pena de morte.

Na fila dos ossos brasileiros esquálidos tentam pagar as pelancas que já não lhes são jogadas de graça. Quando não conseguem assaltam um caminhão de lixo. Mas não importa. Já dizia Manuel Bandeira em seu poema O Bicho – “Vi ontem um bicho Na imundice do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa; Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem.” E eu acrescento – um homem brasileiro.

As únicas coisas que nos são dadas são afrontas, humilhações e desfeitas. Diariamente somos vítimas de ultrajes, como ver nossos torturadores do passado serem alçados à condição de heróis nacionais.

Desrespeitos e ameaças à nossa ordem democrática, partindo do Planalto, se sucedem diariamente. O mesmo ocorre na Câmara dos Deputados onde um deputado é ameaçado de ser expulso do Plenário por defender a soberania nacional.

Até quando seremos dominados por essa apatia suicida e caminharemos sem protestar para a câmara de gás? Até quando seremos espectadores passivos de nossa destruição. 

Brasil, apura o ouvido. Ouça os cristais sendo quebrados. Levante-se e de forma pacífica e organizada vá para a rua defender tua dignidade. Caso contrário, quando o fizer será tarde. Inês estará morta, cremada e suas cinzas jogadas ao mar, já que nem para fertilizar a terra servirão por faltar-lhes o elemento indignação.

 

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