Bem-vinda, Cristina

"Cristina, Dilma e Lula se abraçam de novo, como as referências fundamentais dos seus povos, porque não são somente pessoas, são a personificação de processos políticos que garantiram e estenderam os direitos da grande maioria de argentinos e brasileiros. Representam a milhões e milhões de esperanças de que nossos países recuperem sua dignidade", escreve o colunista Emir Sader, no dia em que a ex-presidente argentina participa em São Paulo da conferência "A luta política na América Latina hoje"

Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, durante evento em Buenos Aires. 11/02/2015 REUTERS/Enrique Marcarian
Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, durante evento em Buenos Aires. 11/02/2015 REUTERS/Enrique Marcarian (Foto: Emir Sader)
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Antes eram encontros normais entre presidentes eleitos e reeleitos democraticamente pelos povos dos seus países para aprofundar a democracia na Argentina e no Brasil. Reuniões que foram feitas regularmente para coordenar ações comuns e consolidar a solidariedade entre seus povos, ao longo de mais de uma década, desde que Lula foi à posse de Nestor Kirchner em 2004.

Desde aquele momento as relações entre os dois países se tornaram as mais cordiais em toda a nossa história. Acabaram as intrigas, as pequenas e as grandes disputas que que o Império pretendia distanciar-nos e contrapor-nos.

Não havia abraços mais calorosos e fraternais do que os que acostumavam dar-se Lula, Nestor, Dilma e Cristina. Porque eram os povos que se abraçavam, dois países irmãos, duas historias similares de luta pela democracia, pela justiça, pela soberania.

Hoje Dilma é uma presidente tirada da presidência do Brasil por um golpe parlamentar-midiático-jurídico, fechando o mais longo período de vida democrática em um país tão marcado por ditaduras, inclusive a anterior, que durou mais de duas décadas. Com toda a dignidade da sua vida de lutas, Dilma percorre todo o país e viaja ao exterior, para seguir, desde outra trincheira, a mesma luta que marca a sua vida desde sua juventude. Confirmando o que ela sempre disse: ela muda de lugar desde onde lutar, mas nunca muda do lado desde onde luta.

Cristina é vitima de uma feroz perseguição politica, que tenta desqualificar sua imagem, na impossibilidade de desqualificar o seu governo, que resgatou a Argentina da pior crise da sua história, retomou o crescimento econômico, desta vez com distribuição de renda.

Disso não a perdoam. Além de que seja uma mulher que tenha liderado esse processo, que tenha conseguido se reeleger com uma extraordinária votação, superando as ofensivas golpistas da direita argentina.

Lula é igualmente vítima de uma brutal perseguição, que não consegue provar nada contra ele; ao contrário, das duas dezenas de testemunhas de acusação que foram convocadas para acusá-lo, todos o inocentaram. O fantasma do Lula apavora a toda a elite golpista brasileira, que tenta tirá-lo da disputa eleitoral, porque ele é o único politico brasileiro com prestígio popular, cujo apoio só aumenta, conforme os direitos conquistados no seu governo vão sendo tirados pelo governo golpista de Michel Temer.

Cristina, Dilma e Lula se abraçam de novo, como as referências fundamentais dos seus povos, porque não são somente pessoas, são a personificação de processos políticos que garantiram e estenderam os direitos da grande maioria de argentinos e brasileiros.

Representam a milhões e milhões de esperanças de que nossos países recuperem sua dignidade, sua capacidade de promover a justiça, de ouvir e de atender a todo o seu povo.

São duas mulheres e um homem, aos que se teria unido Nestor, caso ainda estivesse entre nós. Líderes latino-americanos, líderes populares, reconhecidos por nossos por nossos povos e, por isso, perseguidos. Nós os amamos, os protegemos, os levaremos de volta à direção de nossos países, tão necessitados de abraços, de justiça, de lideranças com reconhecimento popular e prestígio internacional.

Benvinda, Cristina, te saudamos, uma vez mais, como a figura da mulher argentina, como representante das forças populares de mais longa tradição na Argentina. Te abraçamos, como abraçamos a Nestor, como abraçamos a todos os argentinos.

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