Bicudo nunca será um Barbosa Lima Sobrinho

Ao contrário da petição assinada agora por Hélio Bicudo, o documento subscrito por Sobrinho estava sustentado em fartas provas de corrupção praticadas por Collor no execício da presidência

Ao contrário da petição assinada agora por Hélio Bicudo, o documento subscrito por Sobrinho estava sustentado em fartas provas de corrupção praticadas por Collor no execício da presidência
Ao contrário da petição assinada agora por Hélio Bicudo, o documento subscrito por Sobrinho estava sustentado em fartas provas de corrupção praticadas por Collor no execício da presidência (Foto: Robert Lobato)
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Não concordo com a opinião daqueles que sustentam que o advogado Hélio Bicudo esteja sendo usado pela direita para legitimar o pedido de impeachment da presidente Dilma.

Bicudo sabe exatamente o que está fazendo. E o mais triste: gosta do que está fazendo.

Um dos juristas mais respeitados do país, militante politico e social histórico da esquerda brasileira, Hélio Bicudo foi um bravo resistente contra o regime militar. Denunciou e enfrentou os temidos "esquadrões de morte" e tornou-se uma referência internacional na luta pelos direitos humanos.

O bom e bravo velhinho foi ainda um dos fundares do PT e, pelo partido, elegeu-se deputado federal e ocupou o cargo de vice-prefeito de Marta Suplicy. Rompeu com o petismo em 2005 sem dar uma explicação política para tal decisão. Na época alegou apenas "razões pessoais" para deixar o partido.

Agora o advogado reaparece como "herói" de uma causa ingrata que empobrece, desgraçadamente, a sua biografia numa dimensão que extrapola a política, pois ao aceitar subscrever um pedido de impeachment inspirado nos ideários do PSDB, DEM, PPS e Solidariedade, Hélio Bicudo decepcionou sua família, seus filhos, o que não é pouca coisa.

Em 1992, o saudoso presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, fora um dos signatários do pedido de impeachment do então presidente Fernando Collor Mello.

Ao contrário da petição assinada agora por Hélio Bicudo, o documento subscrito por Sobrinho estava sustentado em fartas provas de corrupção praticadas por Collor no execício da presidência. Também estava legitimada pelo povo que tomou as ruas em apoio ao afastamento do "Caçador de Marajás".

Mas, mais do que provas e apoio popular, Barbosa Lima Sobrinho estava respaldo pela coerência da sua história. Estava do lado de forças políticas que sempre deram sentido a sua vida e de causas nas quais sempre acreditou, Ao contrário de Hélio Bicudo, que aceita ser avalista de um documento/golpe patrocinado de correntes de pensamento que historicamente combateu.

Definitivamente, Hélio Bicudo nunca será um Barbosa Lima Sobrinho.

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