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Mônica Braga

Jornalista desde 1994, funcionária pública, escritora, professora e poeta. Radicada em Macaé, no Norte Fluminense, atua na imprensa regional com publicações em diversos veículos, produzindo matérias, artigos e análises sobre cultura, política, direitos humanos e outros temas de relevância pública.

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Bilionários, pobreza e o velho teatro da meritocracia

Luciano Huck expõe contradição ao criticar auxílio enquanto lucra com apostas

Luciano Huck (Foto: Reprodução/YouTube/Esfera Brasil)
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Existe algo profundamente cruel quando um apresentador bilionário decide criticar um benefício de sobrevivência voltado à população de baixa renda enquanto lucra justamente em cima da fragilidade financeira do povo. 

E é impossível ignorar a contradição!

De um lado, o discurso moralista sobre “acomodação”.

Do outro, a promoção de plataformas de apostas, “bets” e produtos como o “Familhão”, vendidos como esperança rápida para quem já vive sufocado pela desigualdade. 

O pobre pode apostar, consumir sonhos e alimentar a engrenagem do entretenimento milionário. Mas não pode receber auxílio sem ser tratado como suspeito de preguiça.

É o velho roteiro da elite brasileira, romantiza a pobreza quando ela dá audiência, mas despreza o pobre quando ele conquista o mínimo para sobreviver.

A fala de Luciano Huck, mesmo depois da tentativa de suavizar o impacto, escancarou um pensamento muito comum entre setores privilegiados, o de que a população de baixa renda precisa ser constantemente testada, julgada e vigiada. Como se a fome fosse escolha. Como se o desemprego fosse comodismo. Como se o sofrimento social fosse fruto apenas da falta de esforço individual.

E não é!!!!

Os dados mostram justamente o contrário, mais de 60% dos beneficiários do Bolsa Família conseguiram deixar o programa ao longo de uma década. Para muita gente, o auxílio não foi acomodação. Foi o ponto de partida. Foi o empurrão necessário para sair do desespero absoluto, porque ninguém sonha em depender de benefício, as pessoas sonham com dignidade.

A pior dor é a fome!!!!

Quem nunca dormiu sem saber se teria comida no dia seguinte dificilmente entende isso.

Também chama atenção o cinismo de parte dessa lógica neoliberal travestida de “bom senso”, critica-se o auxílio que coloca comida na mesa, mas normaliza-se um sistema de apostas que destrói o orçamento de famílias inteiras. O dinheiro do trabalhador vira lucro para empresas, influencers e apresentadores que vendem fantasia enquanto a realidade afunda.

No fim, sobra o velho espetáculo da falsa empatia televisionada, o “cheguei na sua casa para te salvar” funciona bem diante das câmeras. Mas fora delas, muitos deixam escapar o que realmente pensam sobre os pobres.

E talvez seja exatamente isso que tenha causado tanta revolta!!!

Não foi apenas uma fala!!!

Foi a máscara caindo.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.