Biologia e sabedoria indígena

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(Foto: Divulgação)


Mais um dia 03 de setembro. Data simbólica para lembrarmos e valorizarmos essa importante e fantástica profissão. E mais do que isso, um convite para revivermos o(a) biólogo(a) que existe dentro de cada um.

Sempre digo aos alunos, alunas e alunes: vocês dificilmente encontrarão um biólogo ou bióloga triste, pois vemos a beleza das coisas em todos os lugares! Mesmo com a atual situação de crise política, ambiental e de saúde pública que nosso país segue enfrentando sob o desmando de um presidente (sic) incompetente, genocida, etnocida, ecocida e lesa-pátria, ou ainda as atrocidades internacionais como aquelas praticadas pelos sionistas de Israel contra o povo palestino, por exemplo, podemos dizer que somos privilegiados por estudarmos – e, consequentemente, contemplarmos – a vida em tempos tenebrosos e surreais.

Talvez seja exatamente isso que esteja nos faltando enquanto sociedade. Como bem lembrou o biólogo Luciano Lima recentemente, trazendo estudos científicos como provas – e não meras convicções e achismos! – as crianças têm uma relação inata com a natureza. No entanto, conforme os estímulos ambientais “artificiais” se fazem presentes, vão minando essa capacidade. E com isso, a natureza é deixada de lado, esquecida, negligenciada.

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As telas de smartphones e computadores estão aí, dominando a tal geração glass. Mais do que os danos com a perda de integração com a natureza, os danos à mente também preocupam. Enquanto pequenos, usam tais dispositivos como “babás”, prendendo a atenção enquanto os pais e mães desempenham outras tarefas. E isso tem um preço que será cobrado conforme amadurecem: pessoas antissociais, que não tiveram a oportunidade de vivenciar a plasticidade cerebral – bastante significativa nos anos iniciais de vida –, e com isso, incapazes de interagir  e se formarem enquanto cidadãos e cidadãs cultas, conforme alerta o neurocirurgião Michael Desmurget.

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Corroborando com esse alerta, pesquisadores da Universidade de Washington colocam um tempero a mais nesse mundo tecnológico: a destruição da sociedade pela constante robotização das redes sociais. Para eles, a sociedade converge para o extremismo e mentiras, sem que as pessoas tenham a capacidade de discernir entre o certo e o errado. E, dada a possibilidade de isolamento social, forma conglomerados de massas impensantes e facilmente manipuladas pelos algoritmos.

(E se a terceira idade já foi facilmente manipulada com as fake news responsáveis pela eleição de Trump e Bolsonaro, é assustador pensar que a nova geração segue o mesmo caminho!)

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Mas podemos reverter isso. Ainda que para muitos possa parecer um passo para trás, como diz o ditado, às vezes é preciso dar um passo atrás para avançar! Isso porque, segundo a Teoria da Biofilia, proposta por Edward O. Wilson, todo ser humano possui, de forma inata, uma necessidade de se conectar com os demais seres vivos e a natureza. A partir do momento em que nos fechamos em nossas “selvas de pedra”, aprisionados pelas telas, estamos negando essa necessidade fisiológica. As consequências? Seres sem empatia, estressados, egoístas, doentes...em casos mais graves, verdadeiros sociopatas.

Somente com esse retorno às nossas essências é que talvez possamos projetar uma sociedade verdadeiramente humana. E para isso, temos exemplos vivos que são nossos irmãos indígenas – ainda que cada vez mais ameaçados pela negligência e preconceito. Contrariando o que o sistema capitalista impõe – inclusive refletido na questão educacional –, eles dão a receita do que é humanidade. Como bem disse Ailton Krenak, as crianças indígenas não são educadas, mas orientadas. Não aprendem a ser vencedores, porque, para uns vencerem, outros têm de perder. Aprendem a partilhar o lugar onde vivem e o que têm para comer. Têm o exemplo de uma vida onde o indivíduo conta menos do que o coletivo. Este é o mistério indígena, um legado que passa de geração para geração.

Seria esse o motivo de nossos irmãos e irmãs incomodarem tanto? A prova de que o social e coletivo, tal como pontuou Darwin, são as formas que favoreceram e selecionaram efetivamente os organismos para a sobrevivência, e não o egoísmo deturpado da seleção natural do “mais forte”? Será que nossa arrogância e petulância prevalecerá, e seguiremos na disputa individual e desigual, tentando em vão levarmos vantagens que anunciarão nossa destruição?

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A Biologia, em sua essência, é socialista! A Biologia está nos mostrando, mais uma vez o caminho. Que saibamos ouvir nossas crianças internas.

Parabéns aos camaradas biólogos, biólogas e bióloges!

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Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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