BNDES: O financiamento a exportações e o interesse nacional

Não podemos pensar pequeno e nem ter complexo de vira-latas, achar que vamos ser eternamente periféricos

Instituições brasileiras que atuam em sintonia com os interesses do País têm sido sistematicamente atacadas pela oposição e setores da mídia, numa ação articulada que não esconde interesses políticos e econômicos. É o caso do BNDES, com papel estratégico no desenvolvimento nacional. Centram-se os ataques no banco com base nos financiamento a exportações de bens e serviços de empresas brasileiras. Não há nada demais, governos que antecederam os do PT e aliados também adotaram a prática de financiar empresas nacionais, que é seguida igualmente por outros países, como EUA, Alemanha, Japão e China.

Parte-se de premissas formuladas com base na má-fé. Chega-se ao cúmulo de dizer que o financiamento para empresas brasileiras atuarem no exterior geraria empregos lá fora e desemprego aqui ou que haveria motivação política e ideológica nas escolhas dos financiamentos. Pura balela. O Brasil não financia gastos locais e empregos de estrangeiros, apesar de Agências Créditos à Exportação de outros países financiarem. Os financiamentos do BNDES cobrem apenas empregos no Brasil e bens nacionais, os créditos são liberados em reais, nada é remetido ao exterior. O país importador paga o financiamento em dólares.

Os contratos são auditados pelo TCU e submetidos à fiscalização da Receita Federal; têm um grau de inadimplência marginal (menos de 0,01%).

O setor de serviços representa, hoje, cerca de 80% do PIB dos países mais desenvolvidos, aproximadamente 25% do comércio mundial, movimentando US$ 6 trilhões/ano. O Brasil não pode ficar à parte desse mercado, e o BNDES tem papel central no processo. E nossas empresas têm tecnologia e mão de obra altamente especializada para participar desse mercado cada vez mais promissor. Só o mercado mundial de serviços de engenharia movimenta cerca de US$ 400 bilhões anuais e as exportações correspondem a 30% desse mercado. Podemos aumentar nossa participação, hoje ainda pequena, oscilando entre US$ 1 bilhão e US$ 2,5 bilhões, desde o início da década de 1990.

Não podemos pensar pequeno e nem ter complexo de vira-latas, achar que vamos ser eternamente periféricos. Não podemos ficar inertes. Um exemplo: de 2008 a 2012, o apoio financeiro do Brasil às suas empresas exportadoras de serviços foi, em média, de US$ 2,2 bilhões por ano. No mesmo período, o apoio oficial da China às suas empresas exportadoras alcançou a média anual de US$ 45,2 bilhões; o dos EUA US$ 18,6 bilhões; o da Alemanha, US$ 15,6 bilhões; o da Índia, US$ 9,9 bilhões.

O Brasil ainda está muito longe do ideal, mas mesmo assim os financiamentos do BNDES tem ajudado a criar empregos no Brasil. Estima-se que, apenas em 2010, as exportações de serviços de engenharia tenham gerado cerca de 150 mil empregos diretos e indiretos no País. Temos que não só manter os financiamentos do BNDES a essas obras, como ampliá-los, por causa do impacto positivo na economia brasileira.


Com 2% das exportações mundiais de serviços de engenharia, o Brasil tem 18% de participação no mercado na América Latina e Caribe, atrás apenas da Espanha (30%). Os Estados Unidos detêm 14%, e a China, 12%. Na África, as empresas brasileiras têm 4% do mercado e a China, 45%. Os concorrentes oferecem melhores condições para suas empresas se posicionarem nesse mercado.

Os investimentos brasileiros em infraestrutura financiados pelo BNDES estão distribuídos em mais de dez países, como Angola, Argentina, Cuba, Venezuela- em vários deles, com projetos já iniciados ainda quando o PSDB era governo.

Por trás da má-fé em torno do tema, há interesses subalternos, para beneficiar empresas estrangeiras. É uma subserviência histórica, de parte das elites brasileiras, às metrópoles. A mesma oposição que ataca os empréstimos do BNDES a empreiteiras brasileiras que vão exportar serviços de engenharia ao exterior, tem projeto no Congresso Nacional para entregar a empresas estrangeiras as reservas do pré-sal, avaliadas em US$ 8,3 trilhões. Como se vê, o interesse nacional está a milhões de anos-luz de distância do ideário do PSDB e DEM e de certos setores da mídia.

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