BolSALÒnaro - Os 43 Dias de Brasil Sodoma

Em 43 dias de governo Jair Bolsonaro não fez nenhuma proposta em benefício da população. Nenhuma proposta sequer. Muito pelo contrário, tudo que Bolsonaro fez até agora foi semear o ódio e a cizânia entre o povo brasileiro, provocar adversários políticos e fazer bravatas, além dos já folclóricos recuos em decisões equivocadas já tomadas

BolSALÒnaro - Os 43 Dias de Brasil Sodoma
BolSALÒnaro - Os 43 Dias de Brasil Sodoma (Foto: Alan Santos - PR)

"Salò ou Os 120 Dias de Sodoma" é um filme italiano de 1975.Foi o último filme dirigido pelo diretor Pier Paolo Pasolini, sua obra de despedida. O filme foi inspirado no livro "Os 120 Dias de Sodoma do Marquês de Sade", e conta a história de um grupo de jovens que, em 1944, na região da Itália então dirigida por Mussolini, foram selecionados por quatro dirigentes fascistas, sendo o presidente de um banco a representação do poder econômico, um bispo representando a Igreja, um duque representando a nobreza e um juiz, que representa o poder judicial, para serem os autores de uma série de torturas e experimentos sádicos ao longo de 120 dias.

"A obra, considerada como uma das mais perturbadoras da história do cinema, é dividida em 3 fases, chamadas de 'círculos', que são o Círculo das Manias, onde os fascistas satisfazem seus desejos sexuais; o Círculo das Fezes, repleto de escatologia, onde os jovens são obrigados a ingerir fezes; e o Círculo de Sangue, onde os prisioneiros desobedientes são punidos através de mutilações, torturas físicas e assassinato."
Fonte - Wikipedia

Brasil, 12 de fevereiro de 2019.
O governo Bolsonaro completa 43 dias.

Durante a campanha eleitoral do ano passado costumávamos, todos aqueles que se mostravam contrários ao ideário do bolsonarismo, repetir um bordão: "o amor vencerá o ódio".
O amor venceria o ódio mas, infelizmente, através da campanha eleitoral mais sórdida e violenta da história republicana mais recente, o bolsonarismo venceu o amor.

Jair Bolsonaro venceu as eleições, utilizando como pedra basilar de sua campanha o ódio, as promessas violentas contra a oposição, as mentiras mais absurdas possíveis (fakenews e factóides) e um discurso falso moralista e contra a corrupção que não é contra a corrupção coisa nenhuma, é apenas contra a suposta corrupção dos seus adversários.

Queiroz, milicianos e a cúpula do PSL que o digam.

Entre um professor universitário e um auto intitulado "profissional da violência" a população foi induzida a optar por votar naquele que apregoava e ainda apregoa a violência como solução para os problemas estruturais do Brasil.

Em 43 dias de governo Jair Bolsonaro não fez nenhuma proposta em benefício da população.

Nenhuma proposta sequer.

Muito pelo contrário, tudo que Bolsonaro fez até agora foi semear o ódio e a cizânia entre o povo brasileiro, provocar adversários políticos e fazer bravatas, além dos já folclóricos recuos em decisões equivocadas já tomadas.

Em seu último "recado" para o povo brasileiro, melhor dizendo, para a parcela da população que ainda dá ouvidos para seu discurso demagogo, Bolsonaro cobra da Polícia Federal mais empenho encaminhar a investigação daquela que foi a maior farsa da história política do Brasil, o suposto atentado à faca sofrido pelo candidato no dia 06/09.

Sim, caro leitor. Ao lado do Crime da Rua Toneleros e o caso da bomba no Rio Centro o suposto atentado à faca contra Jair Bolsonaro é, na minha opinião, a maior farsa política jamais engendrada na história desse país, e foi decisiva para que o candidato que não tinha, não tem nem jamais terá alguma proposta para solucionar os problemas estruturais do país vencesse as eleições presidenciais.

A mentira venceu o amor.

Como naquela região da Itália governada por Mussolini em 1944, o Brasil também jaz governado por um fascista, que usa do medo e da disseminação da violência discursiva como instrumentos para sequestrar o emocional das pessoas que ainda o apoiam.

Ao desacreditar publicamente a Polícia Federal e tentar relacionar a suposta violência que sofreu ao nome do PSOL, evocando a condição de ex militante de Adélio Bispo, autor da suposta facada e ex militante da sigla, Jair Bolsonaro joga areia no olho da população, tira os holofotes da mídia dos escândalos em que está, juntamente com seus filhos envolvido, e tira do centro das atenções as terríveis caneladas que seu governo tem dado.

A declaração do presidente do partido ao qual Bolsonaro e seus cúmplices/filhos são filiados, o PSL, foi um dos capítulos mais vergonhosos da política brasileira.
Acusado de usar uma candidata "laranja", cuja candidatura visava apenas usufruir do fundo partidário, Luciano Bivar, presidente da sigla disse que "política não é muito da mulher" e foi além, dizendo que "mulher na política enfrenta falta de vocação".

Resumindo, a política não é para mulheres, é apenas para homens.

Na Sodoma em que foi transformado o Brasil a declaração de Luciano Bivar, juntamente com as inúmeras e incontáveis mentiras vociferadas pela Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves têm lugar de destaque.

Damares que é, ouso dizer, a maior propagadora da mamadeira de piroca e da mentira chamada "kit gay" no país e uma das figuras mais patéticas dessa claque.

Há também as "terraplanices" do chanceler Ernesto Araújo, as aparições do bozonauta Marcos Pontes, travestido de astronauta e, agora recentemente, o jornalista ad hoc Alexandre Garcia que, em palestra feita para militares, discursou travestido de soldado, com direito a farda camuflada e coturno.

Ora, nessa Sodoma tudo é possível.

Pela versão bíblica a cidade de Sodoma, juntamente com sua co-irmã Gomorra, foi destruída pela ira de Deus por conta de seus incontáveis e inconfessáveis pecados.

A narrativa bíblica dá conta de que Deus enviou dois anjos para que avisassem Ló, que era seu (de Deus) servo e ali morava que as cidades seriam aniquiladas, e que caberia ao patriarca da família fugir de lá, com a ordem expressa de não olhar para trás sob hipótese alguma.

A mulher de Ló desobedeceu tal determinação, e foi transformada numa estátua de sal.
Sodoma e Gomorra foram destruídas.

Ló e o restante de sua família sobreviveram.

O Brasil está sendo destruído. Não pela ira de Deus, mas pelo ódio fomentado por pessoas que falam em nome de Deus.

Pessoas como Bolsonaro e seu séquito, cuja palavra de ordem é "Brasil Acima de tudo e Deus acima de todos", uma verdadeira afronta para quem realmente professa uma fé genuína em alguma divindade, e também para os ateus, como eu, que acreditam mesmo é no Estado e na sua laicidade.

Acreditasse eu na narrativa bíblica eu a usaria como referência, porém com sinal trocado.

Eu diria que todos que fogem do ideário do Bolsonarismo deveriam, assim como a mulher de Ló, "olhar para trás".

Sim, olhar para trás, para um tempo em que o Brasil tinha orgulho de ser Brasil e os discursos de ódio não eram tão comuns, vulgarizados e generalizados.

As pessoas tinham vergonha de expor suas limitações intelectuais, e os intelectuais eram admirados, não perseguidos, como hoje.

Creio que chegará o momento em que toda a sociedade brasileira, diria eu otimista, ou uma expressiva maioria dela, diria eu mais realista, olhará para trás sem medo de virar uma estátua de sal, identificará soluções que deram certo, e que não têm relação alguma com a violência.

E sairemos todos desse torpor esquizofrênico no qual o bolsonarismo tem nos aprisionado.

Que seja destruída a Sodoma e a Gomorra em que foi transformado nosso país, e que se reerga sobre seus escombros um novo Brasil.

E que então, finalmente, o amor possa vencer o ódio, definitivamente.

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