Marcelo Zero avatar

Marcelo Zero

É sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado

536 artigos

HOME > blog

Bolsonarismo disseminou ódio a escolas e universidades

Professores passaram a sofrer todo tipo de assédio e foram vigiados pelos macartistas de plantão

Carro da Polícia Científica deixa creche que sofreu atentado em Blumenau, Santa Catarina (Foto: REUTERS/Denner Ovidio)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

 Não há como dissociar os reiterados ataques às escolas, algo que inexistia há poucos anos, da ascensão da extrema direita no Brasil. A disseminação do discurso de ódio, da intolerância, do medo ao diferente, do culto às armas e à violência etc. tem relação com esses atos aparentemente aleatórios. Mas não é apenas isso. 

A ascensão do bolsonarismo também introduziu no país a desconfiança e até o ódio em relação às escolas e às universidades, entendidas como locais nos quais se disseminariam valores “comunistas” e “globalistas”, contrários à família, à fé cristã, à Pátria etc. Não à toa, um dos principais alvos desse fascismo tupiniquim é Paulo Freire, pedagogo crítico e libertador. 

A escola deixou de ser um santuário da razão e da tolerância e passou a ser objeto da fúria de mentecaptos toscos e intolerantes. Professores passaram a sofrer todo tipo de assédio e foram vigiados pelos macartistas de plantão. Exigiu-se, aos berros, a “escola sem partido” e a “limpeza” das universidades. 

Ademais desse ataque à educação, nosso fascismo, como todo fascismo lato sensu, é anti-intelectual e anticultural. Não aceita a razão crítica, a razão substantiva, e só se submete à razão instrumental, da qual, diga-se de passagem, a reforma do ensino médio é amplamente caudatária.  Temos um desafio gigantesco à frente.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.