Bolsonaro, a luta pela sobrevivência

Florestan Fernandes Jr. avalia que Bolsonaro continuará a defender Donald Trump, mesmo que o custo disso seja aprofundar o isolamento do País que “governa”. E o discurso radical deve ganhar ainda mais corpo daqui por diante, uma vez que ele precisa preservar sua base unida e raivosa

A morte do Brasil
A morte do Brasil (Foto: KEVIN LAMARQUE)


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Por Florestan Fernandes Jr, do Jornalistas pela Democracia - Bolsonaro pode ser tudo: homofóbico, machista, racista, fascista, autoritário; mas não é maluco. Seu discurso discriminatório tem objetivos milimetricamente traçados pelos seus mentores ideológicos. Foram eles que articularam sua campanha vitoriosa nas redes sociais, utilizando robôs e fake news. 

Tudo leva a crer que o capitão é apenas um dos atores do projeto de poder gestado pelo grupo de Donald Trump, para destruir as democracias capitalistas, e implantar em seu lugar regimes autoritários de extrema-direita. Não é à toa que Bolsonaro e seus seguidores tenham investido de forma sistemática e agressiva contra os pilares da ordem democrática burguesa no Brasil. 

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Sua fidelidade a Trump vai muito além da gratidão, é uma questão de sobrevivência. Bolsonaro tem problemas pessoais que ultrapassam as questões políticas. Investigações do Ministério Público trazem denúncias robustas de corrupção envolvendo os filhos e ele mesmo.

Bolsonaro não se limitou a deixar de cumprimentar Biden por sua vitória, foi além ao sugerir o uso das armas, caso o novo governante americano venha a se insurgir contra a destruição da Floresta Amazônica. Uma piada de mau gosto, até mesmo para muitos bolsonaristas, entusiastas da verborragia que lhe é peculiar. O sinal foi dado: o presidente brasileiro cumprirá seu papel nesse tabuleiro, defendendo o candidato derrotado, Donald Trump. Mesmo que o custo disso seja aprofundar o isolamento do País que “governa”. E o discurso radical deve ganhar ainda mais corpo daqui por diante.

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Bolsonaro precisa preservar sua base unida e raivosa, na tentativa de se manter vivo. Situação que não lhe deve ser confortável. Além de ver sua avaliação positiva derreter, seus aliados devem sofrer uma derrota eleitoral significativa nas principais cidades do País. Muitos dos generais já falam abertamente em deixar o barco, afinal nem o apoio do presidente dos EUA eles têm mais. Interessante constatar que ao não reconhecer a vitória de Biden, Bolsonaro se uniu a um grupo seleto de líderes: Kim Jong-un, Recept Tayyip Erdogan, Vladimir Putin e Xi Jinping. Os dois últimos, presidentes de Rússia e China, que certamente estão se divertindo com o derretimento do Império norte-americano.

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