Bolsonaro acrescenta nova indignidade à reforma da Previdência

"Em nova medida para garantir a aprovação da reforma do sistema público de aposentadorias no Senado, governo prepara nova moratória no pagamento de precatórios devidos a trabalhadores pobres e famílias remediadas," escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia. "O assalto ao bolso, dessa vez, irá custar R$ 141 bilhões"

 A notícia de que Jair Bolsonaro e Paulo Guedes preparam um novo ataque ao bolso dos pobres e remediados para pagar a conta da reforma da Previdência é a nova demonstração de que este  governo perdeu qualquer limite de decência para agradar aos  patrocinadores do mercado financeiro.  

A novidade foi revelada por Rogério Gentile, na Folha, e consiste no seguinte. Para pagar os custos das mudanças no sistema público de aposentadorias, o governo pretende dar um novo calote no pagamento de precatórios, aquela dívida bilionária acumulada pelo Estado junto a população brasileira, em sua maioria pessoas  que tem salários e aposentadorias a receber, além de impostos cobrados indevidamente, desapropriações e indenizações atrasadas há vários anos e mesmo décadas.   São decisões definitivas do Judiciário, onde não cabe mais recurso. A obrigação do governo é pagar ou pagar.  Como se trata de gente miúda, em sua maioria, a opção tem sido atrasar e atrasar. Em alguns casos, há mais de 40 anos. 

O total é estimado em R$ 141 bilhões e, como se fosse necessárdio, poucas iniciativas revelam com tanta clareza o caráter indecoroso da reforma da Previdência.  Não se trata, apenas, de retirar direitos e obrigar o cidadão comum a trabalhar mais, e pagar mais, para receber aposentadorias menores. A perversidade é mais profunda.   

A própria aprovação da reforma terá custos adicionais e quem vai pagar a conta é o andar inferior da pirâmide. 

Vamos imaginar, por um minuto, que fosse de fato necessário fazer uma reforma no sistema público de aposentadorias -- o que está longe de ter sido demonstrado.    Neste caso, seria necessário escolher quem deve arcar com custos e ajustes de mudanças que, em dez anos, pretendem  retirar R$ 900 bilhões do bolso da população trabalhadora.   

Além de avançar sobre pensões indecentes da cúpula do Estado, do Judiciário e das Forças Armadas, possibilidade descartada pelo governo desde o início, outra hipótese seria declarar uma moratória nos lucros bilionários dos tubarões que exploram as generosas facilidades  oferecidas pela rolagem de títulos da dívida. Seria o mais eficaz, do ponto de vista econômico, e ético, do ponto de vista social. O problema é político.   

Cada  vez mais desgastados na visão do eleitor comum, como mostra nem a recente pesquisa publicada pela VEJA consegue esconder, Guedes e Bolsonaro devem sua eleição e a posterior sobrevivência em palácio aos favores que prestam àqueles  1% que dominam a economia do país.   

A nova moratória também irá ajudar senadores a trair seu eleitorado e tentar  a sorte no próximo pleito, como já ocorreu com os deputados.   

O espetáculo é conhecido. Aos ricos, o governo garante o entesouramento direto. 

 Aos pobres, a perspectiva é mais empobrecimento direto.  

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