Bolsonaro, Augusto Heleno e a lógica de Floriano Peixoto

"Tudo indica que é operação calculada e articulada a nota assinada pelo general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, associada à recusa de Jair Bolsonaro em obedecer eventual ordem do STF de entregar o seu celular para investigação", escreve o jornalista Breno Altman

Jair Bolsonaro,  Augusto Heleno e
Jair Bolsonaro, Augusto Heleno e (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
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Tudo indica que é operação calculada e articulada a nota assinada pelo general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, associada à recusa de Jair Bolsonaro em obedecer eventual ordem do STF de entregar o seu celular para investigação.

Como aposta, faz lembrar o célebre caso do Habeas Corpus 300, impetrado por Rui Barbosa, em favor do senador e almirante Eduardo Wandenkolk, entre outros indiciados por crimes de sedição e conspiração, presos ou desterrados em virtude de decretos expedidos pelo vice-presidente da República, marechal Floriano Peixoto, na função de presidente, em resposta à chamada Revolta da Armada.

Era tido como uma barbada que o STF acataria a petição do célebre jurista baiano.

A previsão chegou aos ouvidos do líder militar, que mandou um forte recado à corte suprema. "Se os seus ministros concederem ordem de habeas corpus contra os meus atos, eu não sei quem amanhã lhes dará habeas corpus de que, por sua vez, necessitarão", verbalizou de forma muita clara.

Por 10 votos a 1, em 27 de abril de 1892, a demanda de Rui Barbosa acabou rejeitada pelo STF.

A balança não suportou o peso da espada. Não precisou nem de um cabo e um soldado.

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