Bolsonaro critica a “velha política”, mas pratica a política podre

"Como não ser velho o fisiologismo que distribui cargos e recursos em troca de votos para aprovar matérias no Congresso? Em que o bolsonarismo se diferencia do que faziam outros governos ou do que fizeram, a vida inteira, o DEM, o PSDB e o Centrão? Mudaram as moscas, mas a essência da esculhambação está intacta", avalia o jornalista Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia; "A rejeição à velha política, que ninguém se iluda, é a mais nova fakenews de Bolsonaro"

Bolsonaro critica a “velha política”, mas pratica a política podre
Bolsonaro critica a “velha política”, mas pratica a política podre (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia - A pulha do momento é Jair Bolsonaro e sua turma é chamarem tudo o que não gostam de "velha política". Como se fossem eles o suprassumo da modernidade, da falta de vícios e da pureza ideológica. Nesse episódio, mesmo, da briga entre o presidente da República e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o termo voltou a ser utilizado à larga, como um mantra. Por todo o governo. Do presidente "mito" ao mais bisonho assessor. Cada um mais "moderno" que o outro.

Na verdade, por cada atitude tomada, por cada frase expelida, por cada personagem agregada, o governo se apresenta agasalhado no que há de mais velho e carcomido. Afinal de contas, como pode não ser velho um regime de extrema-direita que tem bases em valores como a ignorância, o preconceito, o belicismo e o entreguismo das coisas e das riquezas nacional? O governo de Bolsonaro não é apenas "A" velha política. É um sistema que, em menos de três meses, saiu do verde, não conseguiu ser maduro e está para cair de podre.

Como não ser velho o fisiologismo que distribui cargos e recursos em troca de votos para aprovar matérias no Congresso? Em que o bolsonarismo se diferencia do que faziam outros governos ou do que fizeram, a vida inteira, o DEM, o PSDB e o Centrão? Mudaram as moscas, mas a essência da esculhambação está intacta.

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E como tachar de "novo' um esquema que tem por ídolos ditadores e torturadores? A idolatria por assassinos feito o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ou por governantes deletérios e genocidas feito Augusto Pinochet e Alfredo Stroessner, em que isto tem de inovação ou de avanço? Esse gosto pelo velho e violento, no atacado, reflete-se também no varejo, quando se homenageia milicianos e se convive com personalidade de similar jaez. "Nova política", isto?

E o que é mais arcaico do que entregar o País em uma bandeira de prata aos Estados Unidos? Isso é coisa 50 ou 70 anos atrás. Voltamos a ser capachos e atiramos na lata do lixo uma soberania econômica e política que conquistamos a duras penas, nos últimos anos. Temos um governo que veste boné de Donald Trump, que faz convescote na CIA e lambe o tapete que estende para Israel. Damos de graça aos americanos o uso da Base Aérea de Alcântara e abrimos as portas que, lá na frente, o pré-sal vá parar nas mãos do "patrão". Muito novo.

Nessa mesma linha, o que é mais ultrapassado que entrar em guerra alheia só para demonstrar servilismo? Estamos a um passo que apoiar Trump numa empreitada bélica insana contra um país vizinho só para garantir aos donos da bola o acesso ao petróleo que lá se produz. Esse mote será usado contra nós, daqui a pouco. É tão difícil assim de enxergar uma realidade tão cristalina?

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O Brasil caminha rumo ao passado. Quem anteviu isso foi o próprio candidato do PSL ao longo da campanha eleitoral, quando prometia retroceder ao governo de 1964, uma "pérola" de vanguardismo e de modernidade. Eleito, o presidente tratou de cumprir a promessa reforçando setores que da sociedade que representam o atraso, o armamentismo, o fisiologismo, a misoginia, o fundamentalismo religioso nos costumes e na educação, o mercenarismo na saúde, a privataria mais desbragada e criminosa, o toma-lá-dá-cá com o Legislativo. Tudo o que está a anos-luz de significar novidade, muito menos fuga de valores podres do passado.

A rejeição à velha política, que ninguém se iluda, é a mais nova fakenews de Bolsonaro.

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