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Alex Solnik

Alex Solnik, jornalista, é autor de "O dia em que conheci Brilhante Ustra" (Geração Editorial)

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Bolsonaro defende ideias de Odete Roitman

"Não é impossível imaginar que as sementes das ideias de extrema-direita que hoje são alardeadas por Bolsonaro tenham sido lançadas (ingenuamente ou não) numa novela de grande audiência como essa. O atual clima que intoxica o Brasil foi criado artificialmente", compara o jornalista Alex Solnik, colunista do 247; "A Globo empurra a sua ideologia goela abaixo dos telespectadores não só no Jornalismo, mas especialmente nas novelas"

Bolsonaro defende ideias de Odete Roitman

"É um povo preguiçoso. Isso aqui é uma mistura de raças que não deu certo. Conheço uns dois ou três que não são."

"Só há uma solução. É evidente que é a pena de morte. E pra ladrão e assaltante, cortar a mão em praça pública."

As frases são de Odete Roitman, a mais famosa das vilãs da Globo, interpretada por Beatriz Segall, que morreu ontem. E jamais se livrou dessa personagem de "Vale Tudo", transmitida entre maio de 1988 e janeiro de 1989. Haviam passado quatro anos do fim da ditadura. O Brasil debatia, então, a nova constituição. Mas a personagem avisava que a ditadura tinha acabado, não os ditadores. As ideias de extrema-direita estavam vivas.

Não por coincidência, as mesmas frases foram repetidas pelo candidato a vice de Bolsonaro, o general Mourão há alguns dias. Só não falou em cortar mão de ladrão. Ainda. E Bolsonaro vive fazendo o que a personagem só pensava em fazer, é uma Odete Roitman ao cubo. Está à direita dela.

Pode ser que os autores Gilberto Braga e Aguinaldo Silva tenham colocado essas frases na boca de Odete Roitman para mostrar o absurdo, a irracionalidade dessas ideias. Afinal, ela era a vilã. Foi castigada com a morte no final. Não era para pensar como ela.

Mas é possível que muitos telespectadores tenham entendido diferente, tenham concordado com ela e com suas ideias. E as tenham adotado e disseminado.

Não é impossível imaginar que as sementes das ideias de extrema-direita que hoje são alardeadas por Bolsonaro tenham sido lançadas (ingenuamente ou não) numa novela de grande audiência como essa. O atual clima que intoxica o Brasil foi criado artificialmente.

A Globo empurra a sua ideologia goela abaixo dos telespectadores não só no Jornalismo, mas especialmente nas novelas.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.