Bolsonaro desafia profissionais da saúde, Congresso, Supremo e o povo: não tem vacina

"Enquanto segura a vacina, Bolsonaro vai matando milhares de velhos e pobres. E o país seguirá debatendo sem parar se ele pode ou não promover essa matança", diz o colunista Moisés Mendes

www.brasil247.com -
(Foto: Reprodução)


A trama armada por Bolsonaro conduziu políticos, infectologistas, epidemiologistas, ministros do Supremo e a maioria da população a uma ilusão.

Iludiram-se os que achavam que Bolsonaro havia recuado e poderia ter de fato assumido a tarefa de organizar a vacinação. Mesmo que não fosse por opção, mas por falta de alternativas.

Não é bem assim. Bolsonaro continua enrolando. A entrevista que deu ao filho Eduardo, divulgada no sábado, reafirma o que pensa o Bolsonaro verdadeiro, e não o personagem criado precariamente para anunciar o falso plano de vacinação na quarta-feira.

Bolsonaro é o único governante no mundo que improvisa o próprio filho multiuso como entrevistador. Ouve as perguntas que quer ouvir e diz o que deseja responder.

E esse Bolsonaro verdadeiro diz não ter pressa para a vacinação, repetindo o que já havia mandado Pazuello dizer. E que por isso não vai se apressar a gastar os R$ 20 bilhões previstos em Medida Provisória para a compra das vacinas.

Bolsonaro não quer comprar vacinas. Só vai comprar se sentir que a pressão se tornou insuportável. E até agora essa pressão não existe, mesmo com as últimas decisões do Supremo e da Câmara.

Não há para Bolsonaro nada que o empurre de forma irreversível para a liberação da vacinação emergencial. E não há nada que o obrigue a definir o alcance e uma data para o início da imunização de toda a população.

Não há nenhuma voz forte dizendo: ou vacina, ou cai, ou vai preso. Bolsonaro está certo de que mantém o controle da situação. E o controle é pela sabotagem. Não haverá vacina para todos.

A frase-resumo do que ele pensa é esta: “Não tenho pressa para gastar esse dinheiro”. Gastar é o verbo do desprezo pelos que tentam fazê-lo agir.

Essa outra frase que reafirma sua segurança: “A pandemia realmente está chegando ao fim”. Bolsonaro acha que temos agora “o que se chama de pequeno repique”.

A certeza absoluta da impunidade determina as ações do sujeito, que contraria a realidade por não temer nada que possa obrigá-lo a planejar a vacinação. O dinheiro será gasto sem pressa.

A falta de pressa leva a uma conclusão elementar: ele não teme mais que João Doria saia vacinando antes do governo federal.

Ele e Pazuello mandaram o recado, quando passaram a ter certeza de que estavam no comando. Controlarão, quando e como quiserem, todo o plano de vacinação. Estados e municípios serão enquadrados se tentarem vacinar por conta.

“A pressa para a vacina não se justifica, porque você mexe com a vida das pessoas”, disse Bolsonaro na entrevista ao filho. A vida das pessoas estará sob controle dele e de Pazuello, mas sem a vacina.

É possível prever que o plano de Bolsonaro, de Pazuello e dos militares seja o de fazer uma vacinação pingada, meia-boca, aqui e ali, para enganar trouxas e ir adiando a vacinação em massa.

Bolsonaro sabe, depois do susto de Doria, que pode enrolar, porque não há mobilização popular que dê suporte ao  Supremo e ao Congresso. Irá apenas distribuir vacinas a granel em algumas capitais, tudo lentamente.

Está em andamento no Brasil um crime semelhante ao do extermínio de judeus em escala industrial.

Enquanto segura a vacina, Bolsonaro vai matando milhares de velhos e pobres. E o país seguirá debatendo sem parar se ele pode ou não promover essa matança.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Apoie o 247

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cortes 247

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
WhatsApp Facebook Twitter Email