Bolsonaro está certo

"Jair Messias teve um momento raríssimo, de uma raridade olímpica, absoluta: disse uma verdade", segundo o jornalista Eric Nepomuceno. "Ao se referir à tragédia que sufoca Manaus, o Ogro disse: 'Nós fizemos a nossa parte'"

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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 Por Eric Nepomuceno, do Jornalistas pela Democracia

Na manhã desta sexta-feira Jair Messias teve um momento raríssimo, de uma raridade olímpica, absoluta: disse uma verdade.

Ao falar ao grupelho de fanáticos arrebanhados e levados para a porta do Palácio da Alvorada, disse o Ogro, ao se referir à tragédia que sufoca – literalmente – Manaus: “Nós fizemos a nossa parte”.

Não se pode negar que ele contou com a ajuda do governador Wilson Lima, do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto e do atual, Davi Almeida.

Mas nem somando e multiplicando por dez suas incompetências, esse trio de mediocridade comprovada seria capaz de fazer cinco por cento do que fez o Aprendiz de Genocida.

O prefeito, por exemplo, foi avisado há uma semana que o estoque de cilindros de oxigênio estava se esgotando. O governador também. O general Pazuello, cuja nulidade criminosa brilha cada vez mais, também. 

E ninguém fez nada. Nada. Afinal, Jair Messias mandou dar cloroquina, e não falou nada de falta de oxigênio.

Em abril do ano passado Manaus entrou em colapso. As imagens daqueles dias de tragédia sem volta sacudiram o mundo: cadáveres sendo empurrados para covas comuns por empilhadeiras, corpos espalhados por corredores de hospitais, o abandono infernal de um povo aterrorizado. 

Agora, tudo se repete, com um lado novo e crudelíssimo: pessoas morrendo sufocadas. E não um ou outro caso isolado: foram muitas, muitas pessoas.  

Daquele abril de 2020 para cá, muitíssimas coisas mudaram no Brasil e, claro, em Manaus – e todas para pior.

Não se justifica o argumento de que ninguém poderia prever a expansão, o volume e o alcance da nova onda que a covid despejaria sobre todo o país: antes desse crescimento já era mais do que urgente, desesperadamente urgente, adotar medidas eficazes para proteger vidas, para estabelecer uma ação coordenada Brasil afora. 

Mas o negacionismo do psicopata e a submissão abjeta do seu general abobalhado – da ativa, ressalte-se, o que implica diretamente o Exército nessa tragédia nacional – prevaleceu e prevalece. 

Sim, sim, tem razão Jair Messias quando diz “nós fizemos a nossa parte”. Em dezembro passado, quando o país já estava assolado pela nova onda, seu governo trouxe de volta o imposto de importação para cilindros de oxigênio.  

Sim, sim, claro que o Brasil também fabrica muitíssimos desses cilindros. Mas nunca houve antecedente algum de tamanha demanda, o que faz necessário que se importem cilindros e cilindros.

Sim, sim, a besta-fera que a cada manhã deposita suas ancas na cadeira presidencial fez sua parte, com a colaboração do general do Exército que ocupa o ministério da Saúde – por onde, aliás, espalhou grossos punhados de militares cúmplices da tragédia brasileira.  

Muita gente, porém, deixou de fazer a sua parte, a começar por Rodrigo Maia em particular e o Congresso em geral. 

Se até agosto ou setembro não havia o tal “clima político” para abrir um processo de destituição do Ogro, já no fim do ano começava a haver.  

Deixaram de fazer a sua parte todos e cada um daqueles que dispõem de instrumentos para denunciar o Aprendiz de Genocida pelos crimes de responsabilidade que comete dia sim e o outro também e ficaram calados. 

Que pese na alma e faça sombra em suas vidas o que aconteceu e acontece em Manaus. 

Que cada um deles carregue o peso de não ter tentado, ao menos tentado, impedir que Jair Messias fizesse a sua parte: não satisfeito em destroçar o país, ajudou a sufocar gente.

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