Bolsonaro fede

"Sua existência estéril, opaca e macerada é tracejada pelo extermínio, pelo desejo de ferir, a índole de eliminar e a compulsão por exterminar. A morte sempre foi sua meta, o ódio apenas o método sádico", descreve o colunista Weiller Diniz

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Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)
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Por Weiller Diniz

O capitão Bolsonaro, sua linhagem torpe e os desmiolados que se enrodilham no poder carregarão para a eternidade, para suas covas infectas, o carimbo indelével da vergonha, o selo da infâmia, o peso do genocídio, o pesadelo da indigência e a maldição da estupidez. A marca Bolsonaro é podre. Ele intoxica o país com aromas putrefatos das mais mórbidas necrópoles. A trajetória purulenta dessa escória sub-humana é cravejada pela morte. Sua existência estéril, opaca e macerada é tracejada pelo extermínio, pelo desejo de ferir, a índole de eliminar e a compulsão por exterminar. A morte sempre foi sua meta, o ódio apenas o método sádico. Bolsonaro fede a muitas pestilências, sobretudo recende a morte.

A falange macabra de Bolsonaro é ancestral. A fedentina fúnebre o circunda como as varejeiras em fezes impuras. Na escalada da pandemia desprezou com um “e daí?” a superação dos números da China. Dias antes excrementara: “brasileiro tem que ser estudado. O cara não pega nada. Eu vi um cara ali pulando no esgoto, sai, mergulha…Tá certo?! E não acontece nada com ele”. As metáforas nauseabundas, características dos esgotos onde ele e sua prole foram crismados, são inquilinas confortáveis da débil cognição do capitão. A marcha patogênica da insanidade diante da pandemia nos envergonhou e, 15 meses depois, nos apresenta a dolorosa soma superior a 500 mil mortes. Meio milhão de sonhos abortados, de vidas ceifadas precocemente, de planos interrompidos, de futuros abreviados e milhões de famílias destroçadas eternamente.

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O trote do descaso é longo e criminoso. Chegou a decretar o fim da pandemia, em 12 de abril de 2020. Eram 22 mil casos e a marca dos primeiros mil óbitos: “Parece que está começando a ir embora essa questão do vírus”. O negacionismo, desmentido pelas valas e corpos empilhados em todo Brasil, vem sendo desmascarado dia a dia. Em 20 de abril de 2020, quando atingimos 40 mil infecções e 2,5 mil mortes: “Eu não sou coveiro”, disse em outro solavanco de demência. Antolhado em crenças vaporosas como flatulências, seguiu receitando o medicamento fatal, a cloroquina – proscrita no mundo – e terceirizando os próprios fracassos. “Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavirus”, golfou, equivocadamente, no final de março do ano passado somando mais de 200 desvarios declarados durante a pandemia.

Bolsonaro fede, fede a milícia. A promiscuidade com a face mais assustadora da morte, que executou a vereadora Marielle Franco, é íntima e reiterada. Flávio Bolsonaro condecorou o miliciano Adriano da Nóbrega e empregou a mãe e mulher do chefe do escritório do crime. O mesmo Flávio Bolsonaro disse na Alerj, fonte da sua cornucópia, em 2007: “A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos”. O pai babujou: “Elas oferecem segurança e, desta forma, conseguem manter a ordem e a disciplina nas comunidades. É o que se chama de milícia. O governo deveria apoiá-las, já que não consegue combater os traficantes de drogas. E, talvez, no futuro, deveria legalizá-las”.

Bolsonaro fede, fede a tortura. O culto a morte, ao armamentismo, a idolatria a sanguinários e a eliminação dos oponentes resumem o ideário débil e febril do capitão. “Só vai mudar, infelizmente, quando um dia nós partirmos para uma guerra civil., aqui dentro e fazendo o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil…Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente”, apregoou em 1999. Após 3 décadas a profecia macabra explodiu na gestão Bolsonaro, sacrificando 500 mil inocentes, brasileiros que apenas sobreviviam anônimos, indiferente aos palácios, hoje encharcados de sangue, conspurcados por dores seculares, lágrimas e cicatrizes hemorrágicas.

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Ao votar contra Dilma Rousseff, o capitão reverenciou o ex-chefe do Doi-Codi, o condenado Carlos Alberto Brilhante Ustra, síntese do sadismo assassino da ditadura. Na presidência estendeu o tapete vermelho sanguinolento para outro troglodita, major Curió, comandante da repressão no Araguaia, que resultou em 41 mortes. Enalteceu o ditador Alfred Stroessner: “um estadista que sabia perfeitamente que seu país, o Paraguai, só poderia continuar progredindo se tivesse energia. Então, aqui está minha homenagem ao nosso general Alfredo Stroessner”. Augusto Pinochet, outro facínora frio e cruel, também foi reverenciado por ele. Elogiou-o ao criticar Michelle Bachelet: “Se não fosse a equipe de Augusto Pinochet, que derrotou a esquerda, incluindo seu pai, hoje o Chile seria uma Cuba”.

Bolsonaro fede, fede ao nazismo. O que ele pensa, diz e pratica rotineiramente tem similitudes despudoradas com o 3 Reich: deslegitimar as instituições, sabotar a democracia, hostilizar a imprensa, culpar a esquerda pelos fracassos, incensar a mitomania ignorante, mentir como método, gastar na propaganda de falsidades alienantes, o culto à morte, o belicismo, a militarização dos cargos civis, a montagem de polícias políticas, de espionagens paraestatais e a disseminação do ódio contra todas as minorias, adversários, pensadores, escritores e a academia. Endossou a selvageria extremista na invasão do Capitólio nos EUA, comandadas por bárbaros ultradireitistas. Em suas catacumbas, o governo abrigou e ainda homizia eugenistas e supremacistas brancos.

A Secretaria de Comunicação da Presidência, então chefiada por Fábio Wajngarten, produziu uma peça publicitária em maio de 2020, em plena ascensão da pandemia contra o isolamento. Ela foi compartilhada pelo capitão e pregava: “O trabalho, a união e a verdade nos libertará”. Há dois erros grosseiros. O de concordância e a inconcebível correspondência fúnebre à inscrição nazista na entrada do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia: “Arbeit macht frei” (o trabalho liberta). O escorregão linguístico foi corrigido. As semelhanças da peça com nazismo são eternas como as câmaras de gás. O ex-chefe da diplomacia suicida, isolacionista e servil aos EUA, Ernesto Araújo, também foi pressionado a se retratar por comparar erroneamente o isolamento social exigido pela pandemia aos campos de concentração.

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Em janeiro de 2020, ao som do compositor favorito de Adolf Hitler, Richard Wagner, o tosco secretário de Cultura de Bolsonaro, Roberto Alvim, plagiou trechos de um pronunciamento do ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbels: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, tropeçou Alvim em vídeo. Goebbels disse: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferrenhamente romântica, será desprovida de sentimentalismo e objetiva, será nacional com um grande pathos e será ao mesmo tempo imperativa e vinculante – ou não será nada”. A fala de Alvim resgatava a “limpeza” cultural dos carniceiros do amaldiçoado Terceiro Reich.

O assessor internacional da Presidência da República, Felipe Martins, foi filmado em março de 2021 reproduzindo um gesto durante o depoimento do então chanceler, Ernesto Araújo, ao Senado, sobre as dificuldades do Brasil na aquisição de vacinas contra Covid-19. Uma semana depois, Araújo foi enxotado do ministério. Senadores protestaram contra Felipe Martins. Para alguns o gesto com a mãos seria obsceno e, para outros, um símbolo supremacista da raça branca. O assessor alegou que ajustava a lapela do paletó e negou a eugenia, que exterminou mais de 6 milhões no holocausto. O mesmo gesto foi reproduzido por um aliado de Bolsonaro nas cercanias do Alvorada: “Sei que é um gesto bacana, mas não pega bem pra mim”, contemporizou Bolsonaro que já defendeu segregar alunos “atrasados”.

Bolsonaro fede, fede a golpe. A espiral autoritária desinibiu-se em 19/4/2020, em frente ao quartel general do exército. O capitão, em uma espécie de teste e transe doentio, disse que não negociaria “nada” e repeliu a “velha política”. Se referia ao centrão, agora acomodado no poder e remunerado com orçamentos paralelos contra do impeachment.No dia 3/5/2020 o capitão afirmou no Planalto ter as forças armadas. Em 22/5, mesmo dia da reunião em que ameaçou intervir, após cogitada a apreensão do celular de Bolsonaro, Augusto Heleno endossou: “…O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

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Depois de capitular ao veto do STF a posse de Alexandre Ramagem na PF, em 28/5/2020, insistiu: “Acabou, porra”. Em 27/5/2020, Eduardo Bolsonaro disse que a ruptura era certa. Não era “se”, mas “quando”. Em 17/6/2020 a bravata do capitão atingiu o ápice ao reagir contra a quebra de sigilo de aliados investigados no STF: “Eles estão abusando… está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar”. O capitão se referia, claro, ao STF. No mesmo dia, Flávio Bolsonaro, denunciado por crimes de corrupção, não quis “radicalizar”. No dia seguinte Fabrício Queiroz foi capturado e silenciou o toque dos corneteiros da quartelada. Mas a conspiração nunca foi abandonada. O novo mote da ruptura pré-datada é a farsa do voto impresso, sem o qual Bolsonaro diz que perderia a eleição. Será o golpe mais frustrado do eunuco.

Bolsonaro fede, fede a corrupção. Os malfeitores o rodeiam, os infames o exaltam, os degenerados o louvam, os vis o bajulam, os delinquentes o circundam, os salteadores o protegem, os assassinos o seguem, os fascistas o servem e os golpistas o celebram. Toda horda de facínoras encontra acolhida no valhacouto bolsonarista. Entre os salteadores mais renomados da Nação, instalados no poder, estão dois célebres presidiários: Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson. Valdemar Costa Neto é uma lenda do crime. Em dezembro de 2013 foi em cana: 7 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão. Roberto Jefferson é chave de cadeia. Sentenciado a 7 anos de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro cumpriu 1 ano e 3 meses, apenas. O STF, objeto de sua fúria golpista, o liberou.

O ex-ministro do Turismo, que ninguém se recorda o nome, foi denunciado pelo laranjal do PSL. O ex-ministro, exterminador do meio ambiente, outro nome desprezível, também está emporcalhado em corrupção. Os malfeitos da gestão estão vindo à tona. A CPI do Senado levantou a corrupção grossa na compra de uma das vacinas. Numa inversão de valores, o servidor que denunciou a trama, cumprindo o dever funcional, é intimidado com uma investigação. O partido que elegeu Bolsonaro é investigado em vários estados. Abraham Weintraub, que defendeu a prisão dos “malandros” do STF evadiu-se. Onyx Lorenzoni pagou para escapar do crime confesso de caixa 2. O vice-líder do governo, Senador Francisco Rodrigues também foi alvo de uma busca e apreensão vexatória, que encontrou dinheiro nas nádegas dele. A ministra Flávia Arruda é casada com José Roberto Arruda, cuja carreira política é sinônimo de corrupção.

A corrupção fede, transborda na família Bolsonaro. O primogênito Flávio Bolsonaro é acusado de corrupção com números superlativos e denunciado, mas finge que não enquanto esgueira-se as sombras camuflado nos poderes do pai. A suspeita carteira imobiliária da organização Bolsonaro soma perto de 40 transações, entre aquisições e vendas. Os valores superaram R$ 10 milhões, somando os negócios do patriarca, filhos, mãe e madrasta em apartamentos, terrenos, casas e salas. Jair Bolsonaro negociou 14 imóveis. Flávio, o modesto, chegou a 21 operações imobiliárias. O destaque do empreendedorismo da ‘Casa Nostra’ é a mansão de R$ 6 milhões no condomínio da opulência brasiliense.

Bolsonaro fede a trevas, exala a pestilência dos bárbaros, emana o miasma dos esgotos civilizatórios. Suas crenças obscurantistas são medievais, anticientíficas e fatais. Seu intento é confinar os brasileiros na escuridão das cavernas, escravizar-nos na ignorância e na alienação de universos paralelos fictícios. Ao contrário do mito das cavernas, que buscava luz, liberdade e conhecimento fora das catacumbas, a seita bolsonarista ambiciona o reverso. Almeja que todos vivam como trogloditas, ogros imbecilizados, de porrete na mão espalhando violência, morte, ódio, vinganças e desprezando a vida, a civilidade, a ciência e a luz. A fedentina que os recobre seguirá o inflexível curso da história e terá seu ocaso muito em breve.

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