Bolsonaro não é patriota

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O discurso de posse (Foto: Agência Brasil)


Bolsonaro não é patriota. Segundo os dicionários, o cidadão patriota é aquele que se esforça para ser útil ao seu país e que age em defesa dos interesses coletivos. E o atual presidente não faz nada disso. Muito pelo contrário, desde que entrou na vida política, se mostrou um completo inútil e um grandessíssimo egoísta. 

Se ele fosse patriota de verdade, como mente ser para enganar seus seguidores, já teria, há tempos, tentado desencorajar os atos antidemocráticos que têm acontecido desde o resultado das eleições. Já teria reconhecido sua derrota nas urnas e dado um basta na polarização que ele mesmo alimenta por anos. 

Mas acontece que Bolsonaro não está acostumado a perder. Desde 1988, quando iniciou sua trajetória política, ele ainda não havia perdido uma eleição. Foi vereador, deputado federal por vários mandatos e presidente da República. E perder logo para Lula ─ figura política que ele considera seu maior rival ─, foi um baque muito grande para sua autoestima, ou sua embroxabilidade. Machucou seu ego tão inflado. 

E vale destacar que a disputa não ocorreu com tratamento igual para os dois candidatos nesse segundo turno. Bolsonaro usou e abusou da máquina pública, gastou bilhões no orçamento secreto, impediu eleitores de votarem e tentou de todas as formas se reeleger. Mas, ainda assim, perdeu. Uma derrota que tem lhe custado muito caro. 

Tão logo saiu o resultado das eleições, aliados de Bolsonaro começaram a alimentar a teoria de fraude nas urnas. Uma ideia sem pé nem cabeça, comprovadamente desmentida por vários órgãos, inclusive pelo Ministério da Defesa. Só que as especulações tomaram as ruas. Grupos de golpistas fecharam rodovias país afora e outros ─ também golpistas ─ foram para frente dos quarteis gritar por intervenção federal. 

E Bolsonaro não disse nada. Se calou. Até mesmo seu pronunciamento para agradecer aos milhões de votos que recebeu só ocorreu quase 72 horas depois do resultado. Até chegou a gravar um vídeo pedindo pela desobstrução das rodovias, mas não reconheceu o resultado das urnas. 

E não o fez porque Bolsonaro não é patriota e não reconhece a grandeza do Brasil que disse governar por quatro anos. Não é patriota e nem democrata. Aquele papo de jogar dentro das quatro linhas não passou de papo furado. 

Ele sabe que, ao não aceitar o resultado das urnas ─ que cravou sua derrota ─, reacende em muitos a ânsia pelo golpe. Mas, mesmo assim, segue o jogo democrático.

Lula, o presidente eleito, já se encontrou com autoridades diversas, nacionais e internacionais, e já se prepara para sua primeira viagem em que será recebido como chefe de Estado, muito antes de sua posse. Sua equipe de transição já está a pleno vapor e já podemos sentir as articulações de um novo projeto de governo. 

Enquanto isso, Bolsonaro segue recluso no Palácio do Alvorada, que logo, logo, terá que desocupar. Não recebe aliados, nem familiares. Em vão, tenta encontrar uma explicação para sua derrota. Não tem sequer a integridade de dizer aos seus militantes golpistas “eu perdi”. Não o fez e não o fará! Pois, para isso, seria necessário que tivesse integridade. Continua agindo como um inconsequente, o mesmo que foi “medido, pesado, avaliado e considerado insuficiente”. 

Estava mais do que na hora do Jair, já ir embora! 

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